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domingo, fevereiro 19, 2006

Com que doçura...




Madrugada no campo




Com que doçura essas brisa penteia
a verde seda fina do arrozal -
Nem cílios, nem pluma,
nem lume de lânguida lua,
Nem o suspiro do cristal.

Com que doçura a transparente aurora
tece na fina seda do arrozal
aéreos desenhos de orvalho!
Nem lágrima, nem pérola,
nem íris de cristal...

Com que doçura as borboletas brancas
prendem os fios verdes do arrozal
com seus leves laços!
Nem dedos, nem pétalas
nem frio aroma de anis em cristal

Com que doçura o pássaro imprevisto
de longe tomba no verde arrozal!
- Caído céu, flor azul, estrela última:
súbito sussurro e eco de cristal

in "Flor de poemas"- 1984

Cecília Meireles

5 comentários:

  1. AS aguarelas são lindas! Mas os poemas tambem.Gostei muito de passar por aqui.

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  2. Apreciar a harmonia da natureza é um dom notável.

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  3. Excelente associação entre a verdura e o poema.
    Parabens e boa semana.

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