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sábado, junho 14, 2008

sexta-feira, abril 25, 2008

ABRIL, 25- Uma Saudade e um Sonho




(Aguarelas de Turner) Flores para Abril

Os sussurros que amarrávamos entre os dentes;
O sonho do que nunca iria acontecer;
A vontade, indomável, de partir;
A cor cinzenta que nos entranhava;
A música que ouvíamos em segredo;
O receio da palavra que escapara;
A guerra que era a glória dos cobardes;
O sonho que Verdade se tornou;
A possibilidade única de Ser.

(escrito em resposta ao desafio lançado no ano passado por "Palavras em Linha:"Conta como foi"-http://osentidodaspalavras.blogspot.com/2007/04/conta-como-foi.html

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

A sua profunda voz de barítono...


(Daumier)
Breuer tirou o relógio do bolso, aquele que o pai lhe dera. Estava na hora de voltar ao fiacre, onde Fischmann os aguardava.
Com o vento agora a soprar pelas costas, a caminhada tornou-se mais fácil.
- Pode ser mais honesto do que eu-disse Breuer.- Talvez os julgamentos do meu pai me oprimissem mais do que pensava. Mas na maior parte do tempo, sinto muito a sua falta.
- Sente falta de quê?
Breuer evocou a figura do pai e contemplou as lembranças que desfilaram ante os seus olhos. O velho, de solidéu na cabeça, entoando uma benção antes de provar a sopa de batatas e arenque. O sorriso dele sentado na sinagoga, observando o filho a enrolar os dedos nas borlas do xaile das preces . A sua recusa em deixar o filho voltar atrás num lance de xadrez:« Josef, não me posso permitir ensinar-te maus hábitos». A sua profunda voz de barítono, que preenchia a casa enquanto cantava passagens para os rapazes que preparava para os bar mitzvah.
- Acima de tudo, creio que sinto falta da sua atenção. Foi sempre a minha principal plateia, mesmo no fim da vida, quando sofreu um problema mental e perdeu a memória. Não deixava de lhe contar os meus sucessos, os meus triunfos de diagnóstico, as minhas descobertas nas investigações, até as minhas doações de caridade. Mesmo depois de morrer, continuou a ser a minha plateia. Durante anos, imaginei-o a espiar-me por cima dos meus ombros, observando e aprovando as minhas realizações. Quanto mais a sua imagem se desvanece, mais luto contra o sentimento de que as minhas actividades e os meus sucessos são todos evanescentes, de que não têm significado real.
- Josef, diz que se os seus sucessos pudessem ser registados na mente efémera do seu pai, então teriam significado?(...)

(Irvin D. Yalon - Quando Nietzsche chorou)

quarta-feira, dezembro 19, 2007

156 anos depois - TURNER






Tenho para com Turner uma pequena grande dívida.
Ao escolher como nome do meu blog "Aguarelas de Turner" fui roubar ao génio da sua obra um pouco de luz, um pouco de emoção, um pouco de liberdade, um pouco de afecto, um pouco de solidão, um pouco de poesia, um pouco de mar, um pouco de cor, um pouco de amor pela natureza e pela vida…
A sua obra sempre me tocara de forma particular. Lembro a emoção que senti com a visita à Tate e a descoberta das imensas telas onde nos vemos em relação com uma natureza bela e quantas vezes aterradora, onde infinitamente pequeno e infinitamente grande parecem tocar-se .http://www.tate.org.uk/britain/turner/
Contudo, a visita à exposição das suas Aguarelas em 2003( Fundação Juan March em Madrid) provocou em mim um fortíssimo impacto pela descoberta que pude fazer da modernidade, do grau de abstracção, da criação de um "território" deixado prepositadamente "em aberto" a quem o vê e o "lê". Revi várias vezes na Gulbenkian esta mesma exposição e, sempre, com o mesmo entusiasmo e vontade de descobrir.
Não poderia assim deixar de me lembrar de W. Turner hoje, dia 19 de Dezembro, aniversário da sua morte, data em que só faz sentido comemorar a vida, sonhando contribuir microscopicamen-
te para prolongar aquele rasto de luz que vem atravessando, teimosamente, as gerações seguintes...nunca sabendo nós até quando...

Esta foi apenas uma nota impressionista que quiz aqui deixar, prometendo trazer, num destes dias, alguns aspectos da sua vida e da sua obra.