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domingo, fevereiro 21, 2010

MADEIRA, AJUDAR E REFLECTIR

                                      (Aguarelas de Turner-Madeira 2003)

                                         (Aguarelas de Turner-Curral das Freiras-2003)


                                                   (Aguarelas de Turner- 2003)      
            Impossível não nos sentirmos esmagados quando nos confrontamos com a fúria dos elementos. Eles mostram-nos, de uma forma dramática, a sua poderosa energia destruidora face à nossa imensa fragilidade.
 Visitei a Madeira, a última vez em 2003. Tive a oportunidade de a percorrer em todas as direcções, tendo guardado como melhores recordações as paisagens naturais. Foi aí que eu gostei de estar, foi aí que me senti bem. A cidade do Funchal impressionou-me, negativamente, pela sobrecarga de empreendimentos turísticos, pela ocupação do espaço, quase claustrofóbica. Hoje, face ao momento dramático que a Madeira atravessa, senti necessidade de rever as fotografias que então tirei. Descobri que muito poucas coisas do Funchal fotografara. A Madeira para mim tinha sido, como já fora no passado, a ilha em toda a sua pujança, a ilha das montanhas, das quebradas, da floresta de laurissilva, do planalto do Fanal, do Pico do Areeiro, de Machico, Porto Moniz, Ribeira Brava...
Agora que todo este drama nos aconteceu é, antes de mais, hora de sermos solidários com todos os que sofrem as perdas humanas, os que perdem os seus bens e todos os seus cantos repletos de memórias. Todavia, a vida daqui para a frente não se poderá fazer sem se reverter completamente a forma de olhar os lugares em que habitamos. Eles, antes de tudo, tem características que terão de ser respeitadas. A grande tragédia da "civilização", tem sido a arrogância humana que usa a Natureza e a malbarata, deixando de saber ouvir o seu pulsar. Muito teríamos a aprender com as civilizações ditas "primitivas" que sabem olhar o Homem numa relação de consonância com o meio que o envolve.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

MARCAS DE UM TERRAMOTO


                              (Aguarelas de Turner)

Percorrendo em 2007 os Açores encontrei vivas muitas marcas do último terramoto. Esta Igreja deve permanecer ainda completamente por terra. Ela está ali para nos lembrar que as vidas que desabam nunca poderão ser reconstruidas. Todos nós estamos de olhos postos no Haiti e no infinito desamparo e dor em que se encontram centenas de milhares de pessoas. Desejamos estender os braços a todos os que vagueiam sem destino procurando desesperadamente reatar os seus com vida. Sentimos também um imenso alívio por "aquilo" não se ter passado do lado de cá. Esta dualidade, se não pensada, pode-nos conduzir a olhar relatos do sismo como algo que, progressivamente, vai ficando mais desafectado, transformando-se, pouco a pouco, num espectáculo perverso. Não  são só as televisões que concorrem para este perigo. São também todas as pessoas que olham a repetição das imagens como que para confirmarem que escaparam desta vez. Por isso os outros, os que morrem, e gritam de dor, rapidamente serão esquecidos.
    Já que estamos do lado de cá e  a vida ainda vai podendo ser cantada, resta-nos a solidariedade. Mas uma solidariedade activa, procurando mobilizar todos os que estão à nossa volta para não deixarem de ajudar. Ficam aqui, a título de incentivo, os nºs para transferência bancária para a A.M.I. e para a Cruz Vermelha Portuguesa.