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segunda-feira, dezembro 01, 2008

...é sempre uma novidade ver a pessoa amada...


Quando amamos fortemente, é sempre uma novidade ver a pessoa amada; após um momento de ausência, damos pela sua falta no coração. Que alegria, a de a reencontrarmos! Sentimos de imediato um cessar de inquietações. É necessário todavia que esse amor esteja já muito avançado; porque quando é nascente e não fizemos progresso algum, sentimos com efeito um cessar de inquietações, mas outras sobrevêm.
Ainda que os males se sucedam assim uns aos outros, não deixamos de desejar a presença da amada na esperança de sofrermos menos; contudo quando a vemos, cremos sofrer mais do que antes. Os males passados já não ferem, os presentes tocam-nos, e é pelo que toca que ajuizamos. Um amante neste estado não é digno de compaixão?

(Blaise Pascal- Discurso sobre as Paixões do Amor-Ed. Fenda)

quarta-feira, setembro 24, 2008

Morto estará se amor não se sente...


Ninguém se espante se eu cantar
como nenhum outro cantor,
pois nenhum mais, só por amor,
tanto se deixa arrebatar.

Coração, corpo, alma, sentidos,
força e poder, tudo lhe entrego.
Em suas mãos, sou como um cego.
Nada mais tenho no sentido.

Morto estará, se amor não se sente,
quem não souber o seu sabor.
Que vale a vida sem amor?
Só enfadamos toda a gente.

(Bernart de Ventadorn-sec XII)

sexta-feira, setembro 12, 2008

Era o símbolo da paixão que gozávamos...

(Magritte)
(...)

Colocou a sua mãozinha sobre a minha e pôs-se a rir novamente, enrugando deliciosamente o narizinho; o seu riso era tão límpido, tão ligeiro e espontâneo que decidi imediatamente não resistir ao amor que sentia começar a nascer dentro de mim.
Nessa tarde, fomos passear de braço dado para a beira-mar. A nossa conversa foi cheia de fragmentos das nossas vidas sem rumo, sem plano geométrico. Não tínhamos nenhum gosto em comum. Os nossos caracteres e predisposições eram completamente diferentes, e entretanto, na mágica facilidade desta amizade, sentíamos que algo nos estava prometido. Também gosto de recordar o primeiro beijo junto ao mar, com o vento a brincar-lhe nos cabelos- Um beijo interrompido pelos acessos de riso que a tomavam quando se recordava do meu lastimoso discurso. Era o símbolo da paixão que gozávamos, da sua índole e da sua superficialidade: da sua caridade.

(Lawrence Durrel- Justine)

quarta-feira, março 05, 2008

Amo el amor que se reparte en besos, lecho y pan...


(Lawrence Alma Tadema)

Amo el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.

Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.

Amor que quiere libertarse
para volver a amar.

Amor divinizado que se acerca.
Amor divinizado que se va.

(Pablo Neruda- Crepusculario)

sábado, fevereiro 09, 2008

Tantos esboços gorados...

(Dali)
O QUE O AMOR exige recíprocamente é força plástica. Por isso há no amor, como na arte, tantos esboços gorados, sem a força suficiente para a execução.

(Hugo Von Hofmannsthal- Livro dos Amigos-trad. e prefácio de José A. Palma Caetano)

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro...

(Renoir)

Agora que sinto amor
Tenho interesse nos perfumes.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Se bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.

Alberto Caeiro- O Pastor Amoroso-III

terça-feira, dezembro 11, 2007

Por mais que chova nós inventamos...

(Aguarelas de Turner)
Uma luz sobre os Corpos


Não sei se os corpos têm a mesma chama
passou há muito a luz de Agosto mas
há um sol interior
há uma luz que brilha ainda
uma luz sobre os corpos deitados na cama.

Há um sol que nasce dos gestos ou palavras
uma beleza melancólica nos corpos assim deitados
o mar pode irromper dentro da cama
as ondas são de dentro e de repente
os corpos voltam a arder na mesma chama.

Por mais que chova nós inventamos
um espaço para a árvore e para o pássaro.
não sei que impulso em nós por nós nos chama
talvez ainda amor: uma luz brilha
uma luz sobre os corpos deitados na cama.

Abril de 2003
Manuel Alegre - Doze Naus

terça-feira, outubro 30, 2007

Através da janela aberta...



E então a paz, realmente, voltou. Mensagens de paz sopravam do mar, em direcção à praia. Nunca mais iria ela interromper seu sonho, antes profundamente o embalaria, para que repousasse e, independentemente de quando de sagrado sonhassem os sonhadores, era na sabedoria que a sonhavam, confirmando-a- que outra coisa murmurava a paz?-, enquanto Lily Briscoe assentava a cabeça no travesseiro, no quarto claro e limpo, escutando o mar. Através da janela aberta, eis que vinha murmurando a voz da beleza do mundo, demasiado suave para que exactamente ouvisse o que dizia- mas que importava que fosse banal o sentido ?-(...)

(Virginia Woolf )Rumo ao Farol

quarta-feira, setembro 19, 2007

Hoje, um dia especial...

(Aguarelas de Turner)

Foi pelos teus olhos que aprendi a olhar as flores,
aquelas que sempre acarinhaste,
guardando-as do frio ou do tórrido sol,
regando-as nos fins de tarde ou nas manhãs nevoentas,
lutando arduamente,
contra ervas daninhas
que cortavam o seu respirar,
ou pragas malsãs
que lhes devoravam raízes.


Os seus primeiros nomes,
ouvi-os por ti pronunciados:
a madressilva de aroma delicado;
o útil loureiro que nos acolhia na sua sombra;
a buganvília , ora colorindo os dias quentes de verão,
ora percorrendo o frio na sua penúria;
os francos e sinceros jarros,
que de Inverno nunca deixavam a jarra vazia;
os agapantos que alilasavam o jardim,
(cujos bolbos, no abrir do Outono,
retiravas e separavas cuidadosamente
para, de novo, voltares a semear);
as delicadas e exigentes rosas,
que te levaram a estudar o seu cuidar;
os goivos e as cravínias, os lírios e as espadanas;
o vulgar cravo da índia;
as amigáveis bocas de lobo
(que sempre me encantaram)
e as infindáveis sementes,

que recolhias,
secavas,
guardavas,
(como se de um tesouro se tratasse)

preparando o momento do novo renascer.


(Para ti, mamã querida, no dia dos teus 81 anos)

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