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sexta-feira, fevereiro 29, 2008

As raparigas ...conversavam muito calmas e alegres...

(Denis)
As suas vozes pareciam chegar de muito longe aos seus ouvidos, numa pulsação aos sacões. A rapariga aprestava-se para se ir embora com as suas companheiras.
A rápida pancada de chuva passara, permanecendo em cachos de diamantes entre os arbustos do tabuleiro de onde se elevava uma exalação de terra enegrecida. As raparigas, sobre os degraus da arcada, faziam ressoar o barulho dos seus bonitos sapatos, conversavam muito calmas e alegres, olhando de vez em quando para as nuvens, erguendo os seus guarda-chuvas em enclinações sensatas contra as últimas pingas de chuva, voltando a fechá-los novamente, segurando as orlas das saias com recato.
E se a tivesse julgado demasiado severamente? Talvez a sua vida não fosse mais que um rosário de horas, uma existência simples e estranha como a de um pássaro, alegre de manhã, activa ao longo do dia, cansada ao pôr do sol? Um coração simples e voluntarioso como um coração de um pássaro?

(James Joyce- Retrato do artista quando jovem)

6 comentários:

  1. Uma ótima escolha de texto, mostrando essa influência mística de James Joyce.

    bjs.

    Ju gioli

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  2. "Talvez a sua vida não fosse mais que um rosário de horas, uma existência simples e estranha como a de um pássaro, alegre de manhã, activa ao longo do dia, cansada ao pôr do sol? Um coração simples e voluntarioso como um coração de um pássaro?"

    Passagem lindíssima... gosto muito de aqui vir... Sabes que passo muitas horas no meu trabalho a ouvir a tua selecção musical?

    beijos

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