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terça-feira, dezembro 25, 2007

Poemas para o meu Natal




Um anjo imaginado,


Um anjo diabético, atual,

Ergueu a mão e disse: — É noite de Natal,

Paz à imaginação!

E todo o ritual

Que antecede o milagre habitual

Perdeu a exaltação.



Em vez de excelsos hinos de confiança

No mistério divino,

E de mirra, e de incenso e ouro

Derramados

No presépio vazio,

Duas perguntas brancas, regeladas

Como a neve que cai,

E breve como o vento

Que entra por uma fresta, quizilento,

Redemoinha e sai:


A volta da lareira

Quantas almas se aquecem

Fraternalmente?

Quantas desejam que o Menino venha

Ouvir humanamente

O lancinante crepitar da lenha?

Miguel Torga

1 comentário:

  1. Ninguém... vá lá... alguns!
    Os que ainda, apesar de tudo, acreditam que isto pode melhorar!

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