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sábado, fevereiro 10, 2007

Por entre as nossas mãos o verde mar se escoa...

(Bonnard)


A secreta viagem

No barco sem ninguém ,anónimo e vazio,
ficámos nós os dois ,parados ,de mão dada ...
Como podem só os dois governar um navio?


Melhor é desistir e não fazermos nada!
Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais,e de maneira,à proa...
Que figuras de lenda!Olhos vagos,perdidos...
Por entre nossas mâos , o verde mar se escoa...
Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos,sem ver,a longínqua miragem...
Aonde iremos ter?- Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!
Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa ,passa...alheio aos meus sentidos.
-Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa ,em madeira esculpidos!


(David Mourão Ferreira)

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Creio que este poema está incluído numa das seus primeiras obras (se não na primeira), no tempo em que escrevia para a Seara Nova.
    Não é dos poetas que mais gosto de ler, mas é um grande poeta.
    Um abraço e bom fim de semana.

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  3. É bom andar à deriva.... sabendo-se perfeitamente para onde se vai e com quem se vai!

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