Google+ Followers

domingo, dezembro 24, 2006

E era Dezembro e floria...



Natal

Acontecia.No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.


Eram carpas nas mãos. Um soluço uma rima.
Gutarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.


Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos siLêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo:andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como umpouco de água turva

na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo:nascimento de poesia.

Manuel Alegre

2 comentários:

  1. música a acontecer sempre nas palavras de Manuel Alegre. E aqui, posia.

    ResponderEliminar

Não são permitidos comentários anónimos