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quarta-feira, janeiro 28, 2009

Não me dá o direito de negar que ocorra noutras pessoas

(Sorolla)
Segundo a minha própria experiência, não consegui convencer-me da natureza primária desse sentimento; isso, porém, não me dá o direito de negar que ele de facto ocorra em outras pessoas. A única questão consiste em verificar se está sendo correctamente interpretado e se deve ser encarado como a fons et origo de toda a necessidade de religião.
Nada tenho a sugerir que possa exercer influência decisiva na solução desse problema. A ideia de os homens receberem uma indicação de sua vinculação com o mundo que os cerca por meio de um sentimento imediato que, desde o início, é dirigido para esse fim, soa de modo tão estranho e se ajusta tão mal ao contexto da nossa psicologia, que se torna justificável a tentativa de descobrir uma explicação psicanalítica- isto é genética para esse sentimento. O ego nos aparece como algo autónomo e unitário, distintamente demarcado de tudo o mais. Ser essa aparência enganadora- apesar de que, pelo contrário, o ego seja continuado para dentro, sem qualquer delimitação nítida, por uma entidade mental inconsciente que designamos como id, à qual o ego serve como uma espécie de fachada-, configurou uma descoberta efectuada pela primeira vez através da pesquisa psicanalítica, que, de resto, ainda deve ter muito mais a nos dizer sobre o relacionamento do ego com o id. No sentido do exterior, porém o ego, de qualquer modo, parece manter linha de demarcação bem claras e nítidas. Há somente um estado-indiscutivelmente fora do comum, embora não possa ser estigmatizado como patológico- em que ele não se apresenta assim. No auge do sentimento de amor, a fronteira entre o ego e objecto ameaça desaparecer. Contra todas as provas de seus sentidos, um homem que se ache enamorado declara que "eu" e "tu" são um só, e está preparado para se conduzir como se isso constituísse um facto. Aquilo que pode ser temporariamente eliminado por uma função fisiológica (isto é, normal) deve também, naturalmente, estar sujeito a perturbações causadas por processos patológicos. A patologia nos familiarizou com grande número de estados em que as linhas fronteiriças entre o ego e o mundo externo se tornam incertas, ou nos quais, na realidade, elas se acham incorretamente traçadas. (...) Assim, até mesmo o sentimento do nosso próprio ego que está sujeito a distúrbios, e as fronteiras do ego não são permanentes.
Uma reflexão mais apurada nos diz que o sentimento do ego do adulto não pode ter sido o mesmo desde o início. Deve ter passado por um processo de desenvolvimento, que se não pode ser demonstrado pode ser construído com um razoável grau de probabilidade. (....)
Desse modo, então, o ego se separa do mundo externo. Ou, numa expressão mais correcta, originalmente o ego inclui tudo; posteriormente, separa, de si mesmo, um mundo externo. Nosso presente sentimento do ego não passa, portanto, de apenas um mirrado resíduo de um sentimento muito mais inclusivo-na verdade, totalmente abrangente-, que corresponde a um vínculo mais íntimo entre o ego e o mundo que o cerca. Suponho que há muitas pessoas em cuja vida mental esse sentimento primário do ego persistiu em maior ou menor grau, ele existiria nelas ao lado do sentimento do ego mais estrito e mais nitidamente demarcado da maturidade, como uma espécie de correspondente seu. Nesse caso, o conteúdo ideacional a ele apropriado seria exatamente o de ilimitabilidade e o de um vínculo com o universo- as mesmas ideias com que o meu amigo elucidou o sentimento "oceânico". (....) (cont.)

(Sigmund Freud - O Mal-Estar da Civilização )

terça-feira, janeiro 27, 2009

Existem certos homens que não contam com a admiração dos seu contemporâneos

(W.Blake)
É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação -isto é, de buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida. No entanto, ao formular qualquer juízo geral deste tipo, corremos o risco de esquecer quão variados são o mundo humano e a sua vida mental. Existem certos homens que não contam com a admiração dos seus contemporâneos embora a grandeza deles repouse em atributos e realizações completamente estranhos aos objectivos e aos ideais da multidão. Facilmente, poder-se-ia ficar inclinado a supor que, no fim de contas, apenas uma minoria aprecia esses grandes homens, ao passo que a maioria pouco se importa com eles. Contudo, devido não só às discrepâncias existentes entre os pensamentos das pessoas e as suas acções, como também à diversidade de seus impulsos plenos de desejo, as coisas provavelmente não são tão simples assim.
Um desses seres excepcionais refere-se a si mesmo como meu amigo nas cartas que me remete. Enviei-lhe o meu pequeno livro que trata da religião como sendo uma ilusão, 1 e ele me respondeu que concordava inteiramente com esse meu juízo , lamentando, porém, que eu não tivesse apreciado correctamente a verdadeira fonte de religiosidade. Esta, diz ele, consiste num sentimento peculiar, que ele mesmo jamais deixou de ter presente em si , que se encontra confirmado por muitos outros e que pode imaginar atuante em milhões de pessoas. Trata-se de um sentimento que ele mesmo jamais deixou de ter presente em si, que se encontra confirmado por muitos outros e que pode imaginar atuante em milhões de pessoas. Trata-se de um sentimento que eu gostaria de designar como uma sensação de "eternidade", um sentimento de algo ilimitado, sem fronteiras-"oceânico", por assim dizer. Esse sentimento, acrescenta, configura
um facto puramente subjectivo, e não um artigo de fé; não traz consigo qualquer garantia de imortalidade pessoal, mas constitui a fonte de energia religiosa de que se apoderam as diversas Igrejas e sistemas religiosos, é por eles veiculado para canais específicos e, indubitavelmente, também por eles exaurido. Acredita ele que uma pessoa, embora rejeite toda a crença e toda a ilusão, pode correctamente chamr-se a si mesmo religiosa com fundamento apenas nesse sentimento oceânico.
As opiniões expressas por esse amigo que tanto respeito, e que outrora já louvara a magia da ilusão num poema ,2 causaram-me não pequena dificuldade. Não consigo descobrir em mim o sentimento "oceânico". Não é fácil lidar cientificamente com sentimentos.(...) (cont.)

1- The Future of an Illusion ( 1927c), Standart Ed., "21, 5.
2-Desde a publicação de seus dois livros La vie de Ramakrishna (1929) e La vie de Vivekanananda(1930) não necessito mais de esconder o fato de que o amigo mencionado no texto é Romain Rolland

(Sigmund Freud- O Mal-Estar na civilização)

Faltar é positivamente estar no campo

(Lucian Freud)

Ah a frescura na face de não cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros.
Falei a todos, com uma deliberação do desleixo,
Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha.


Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
É tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,

Deliberadamente à mesma hora...
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.
É tão engraçada esta parte assistente da vida!
Até não consigo acender o cigarro seguinte...Se é um gesto,
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

(Álvaro de Campos-17/06/1929

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Voltou a comprar corvos perfumados....

(Sisley)
A casa abandonada pelo pai proporcionou a Fermina Daza um refúgio próprio contra a asfixia do palácio familiar. Mal se conseguia escapar aos olhos do público, ia às escondidas ao Parque dos Evangelhos e aí recebia as novas amigas e algumas antigas do colégio ou das lições de pintura: um substituto inocente da infidelidade. Vivia horas agradáveis de mãe solteira com o muito que ainda tinha das suas recordações de menina. Voltou a comprar corvos perfumados, recolheu gatos da rua e entregou-os aos cuidados de Gala Placidia, já velha e um pouco limitada pelo reumatismo, mas ainda com ânimo para ressuscitar a casa. Voltou a abrir o quarto da costura onde Florentino Ariza a viu pela primeira vez, onde o doutor Juvenal Urbino a mandou deitar a língua de fora para tentar conhecer-lhe o coração, e transformou-a num santuário do passado. Uma tarde de Inverno, ao fechar a janela da varanda antes que desabasse a tempestade, viu Florentino Ariza no seu canto sob as amendoeiras do parque, com um fato do pai, apertado à sua medida e o livro aberto sobre o colo, mas não o viu como então o tinha visto, por acaso, várias vezes, mas sim na idade com que ele lhe ficou gravado na memória.

( Gabriel García Márquez- o Amor nos Tempos de Cólera)

domingo, janeiro 25, 2009

De Sábado para Domingo um filme- O Feiticeiro de Oz


Tenho de esperar mais uns aninhos para poder ver contigo o Feiticeiro de Oz, mas asseguro-te que, quando chegar a hora, os dois não vamos perder uma pitada! Fica, desde já, combinado! (é que o maroto fez ontem, ontem mesmo, dois anos...)

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Se o vento sopra e rasga as velas...

(Aguarelas de Turner)
Cantiga

Deixa-te estar na minha vida
Como um navio sobre o mar.

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus , em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

à praia, um dia, erma e esquecida,
Hei com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida,
Como um navio sobre o mar.

(Cabral do Nascimento)

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Podíamos saber um pouco mais...

(Vermeer)
Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.


Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quanto só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.

(Nuno Júdice)

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Festejemos a Esperança !




Um homem não resolve os problemas do mundo, mas um homem diferente, sensível aos problemas humanos deve fazer a diferença.
Quero acreditar que há sonhos (realistas) possíveis. Não esperemos um salvador porque, se assim for, rapidamente o diabolizaremos. Esperemos um homem que tentará, ESPERO BEM, dar o melhor de si. Parabéns Obama!

terça-feira, janeiro 20, 2009

Estes dois extremos quase se tocavam nele...


«Como conceber Cesário sem Lisboa? Como conceber Pascoaes sem o Marão?, perguntara O'Neill , recordando o poeta de Amarante por ocasião da sua morte. Como conceber O'Neill sem Lisboa?, acrescentaremos nós, os do séc. XXI. A nossa ideia da cidade de Lisboa da segunda metade do século XX ficará indelevelmente marcada pela poesia de Alexandre O´Neill, tal como na Lisboa de finais do século XIX perpassam os verso de Cesário Verde. O´Neill costumava ler Cesário para a Teresa, sua segunda mulher. Das influências que lhe foram apontando, Cesário era aquela que nunca desdenhava, homenageando-o várias vezes na poesia. Mas a paisagem urbana de O'Neill é determinada pela ironia, por uma postura derrisória que se debate entre o mítico e o típico da capital- a cidade onde nasceu é, na sua poesia, uma metonímia do país, e de si próprio, como ironista radical que é. A Lisboa de Alexandre O´Neill é um exercício irónico sobre o tipo alfacinha, jogo de um fascinado pela banalidade e pelo lugar-comum. (...)
Que olhar era este, que ele lançava sobre os bas-fonds da sociedade portuguesa, sobre o povo seboso e acanalhado ao qual não pertencia nem por nascimento, nem por educação?
Sobranceiro, desdenhoso, paternalista? Não me parece. O'Neill tinha um gosto genuíno onde se comia o « cozido de porco» (numa tasca imunda da Buraca para onde arrastava os amigos) e pelo povo que as frequentava, com quem convivia, sentado à mesma mesa; mas conservou sempre certo modo aristocrático e distante que se lhe notava: era, íntima e caracterialmente um chunga-chique. Estes dois extremos quase se tocavam nele-e é um oximoro, figura de estilo que parece ter determinado a sua forma mental, a que mais lhe ocorria quando olhava para o mundo: definir as coisas por oposição, por contraste, pela imagem díspar do surrealismo- aquelas « semelhanças misteriosas» que dizia Pascoaes, são previligiadamente captadas pela alma popular.

(Maria Antónia Oliveira- Alexandre O'Neill, uma biografia literária)

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ouvir-te murmurar:-« Espera e confia!»

(Lucian Freud)
AMIZADE

De mais ninguém, senão de ti, preciso:
Do teu sereno olhar; do teu sorriso,
Da tua mão pousada no meu ombro.
Ouvir-te murmurar:- «Espera e confia!»
E sentir converter-se em harmonia,
O que era, dantes, confusão e assombro.

(Carlos Queirós)

domingo, janeiro 18, 2009

sábado, janeiro 17, 2009

Uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia, e manipulação ....

(in Revista Visão- Foto da Semana- "Mudanças Forçadas")

Leiam que vale a pena:

Boaventura Sousa Santos- REQUIEM POR ISRAEL?
Está a ocorrer na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestiniano cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa. (...)

http://aeiou.visao.pt/Opiniao/boaventurasousasantos/Pages/RequiemporIsrael.aspx

Cuando el dulce Cazador



SOBRE AQUELAS PALABRAS
«DILECTUS MEUS MIHI»


Yo toda me entregué y di,
y de tal suerte he trocado,
ques mi Amado para mí,
Y yo soy para mí Amado




Cuando el dulce Cazador
me tiró y dejó rendida
en los brazos del amor,
me alma quedó caída.
Y cobrando nueva vida,
de tal manera he trocado
ques mi Amado para mí
y yo soy para mí Amado

Tiróme con una flecha
enherbolada de amor,
y mi alma quedó hecha
una con su Criador.
Yo Ya no quiero otro amor,
pues a mi Dios me he entregado,
y mi Amado es per mi
y yo soy para mi Amado.

(Santa Teresa de Ávila- Seta de Fogo)

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Sentimento de Urgência

Posted by Picasa (Aguarelas de Turner-colagem feita a partir de fotos de diferentes fotógrafos sobre os bombardeamentos de Gaza)
Por que o senhor, eu e tantas outras pessoas nos revoltamos tão violentamente contra a guerra? Porque não a aceitamos como mais uma das muitas calamidades da vida? Afinal, parece ser uma coisa muito natural, parece ter uma base biológica e ser dificilmente evitável na prática. Não há motivo para se surpreender com o facto de eu levantar essa questão. Para o propósito de uma investigação como esta, poder-se-ia, talvez, permitir-se usar uma máscara de suposto alheamento, A resposta à minha pergunta será a de que reagimos à guerra dessa maneira, porque toda a pessoa que tem direito à sua própria vida, porque a guerra põe término a vidas plenas de esperanças, individualmente e porque conduz os homens a situações humilhantes, porque os compele, contra sua vontade, a matar outros homens e porque destrói objectos materiais preciosos, produzidos pelo trabalho da humanidade. Outras razões mais poderiam ser apresentadas, como a de que, na sua forma actual, a guerra não é mais uma oportunidade de atingir os velhos ideiais de heroísmo, e de que, devido ao aperfeiçoamento dos instrumentos de destruição, uma guerra futura poderia envolver o extermínio de um dos antagonistas ou, quem sabe, de ambos. Tudo isso é verdadeiro, e tão incontestavelmente verdadeiro, que não se pode senão sentir perplexidade ante o facto de a guerra ainda não ter sido unanimente repudiada. (....) Penso que a principal razão por que nos rebelamos contra a guerra é que não podemos fazer outra coisa. Somos pacifistas porque somos obrigados a sê-lo, por motivos orgânicos básicos. E sendo assim, temos argumentos que justifiquem a nossa atitude.
Sem dúvida, isto exige alguma explicação. Creio que se trata do seguinte. Durante de períodos de tempo incalculáveis, a humanidade tem passado por um processo de evolução cultural ( sei que alguns preferem empregar o termo" civilização"). É a esse processo que devemos o melhor daquilo em que nos tornamos, bem como uma boa parte daquilo de que padecemos. Embora suas causas e seus começos sejam obscuros e incerto o seu resultado, algumas das suas características são de fácil percepção. Talvez esse processo esteja levando à extinção da raça humana, pois em mais de um sentido prejudica a função sexual; povos incultos e camadas atrasadas da população já se multiplicaram mais rapidamente do que as camadas superiormente instruídas.(...)As modificações psíquicas que acompanham o processo de civilização são notórias e inequívocas. Consistem num progressivo deslocamento dos fins instintuais e numa limitação imposta aos impulsos instintuais. Sensações que para os nossos ancestrais eram agradáveis, tornaram-se indiferentes ou até mesmo intoleráveis para nós; há motivos orgânicos para as modificações em nossos ideais éticos e estéticos. Dentre as características psicológicas da civilização, duas aparecem como as mais importantes: O fortalecimento do intelecto, que está começando a governar a vida instintual , e a internalização dos impulsos agressivos com todas as consequentes vantagens e perigos. Ora a guerra se constitui na mais óbvia oposição à atitude psíquica que nos foi incutida pelo processo de civilização, e por esse motivo não podemos evitar de nos rebelar contra ela; simplesmente não podemos mais nos conformar com ela. Isto não é apenas um repúdio intelectual e emocional; nós, os pacifistas, temos uma intolerância constitucional à guerra, digamos, uma idiossincrasia exacerbada no mais alto grau. Realmente, parece que o rebaixamento dos padrões estéticos na guerra desempenha um papel dificilmente menor em nossa revolta do que as suas crueldades.
E quanto tempo teremos de esperar até que o restante da humanidade também se torne pacifista? Não há como dizê-lo. Mas pode não ser utópico esperar que esses dois factores, a atitude cultural e o justificado medo das consequências de uma guerra futura, venham a resultar, dentro de um tempo previsível, em que se ponha um término à ameaça de guerra. Por quais caminhos ou por que atalhos isto se realizará, não podemos adivinhar. Mas uma coisa podemos dizer: tudo o que estimula o crescimento da civilização trabalha simultâneamente contra a guerra.
Espero que o senhor me perdoe se o que eu disse o desapontou, e com expressão de toda a estima, subscrevo-me,

Cordialmente,

SIGM. FREUD

Nota: A carta de Einstein chegou a Freud no início de Agosto de 1932 e a sua resposta foi concluída um mês depois. A correspondência foi publicada em Paris, pelo Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual em Março de 1933, em alemão, francês e inglês,simultâneamente.A sua circulação, contudo foi proibida na Alemanha

Entre 18 e 22 de Fevereiro de 2008 publiquei as cartas de Einstein e de Freud sobre o porquê da guerra. Volto a chamá-las aqui como forma de exprimir o sentimento de revolta e dor com o que ocorre com o povo Palestiniano. http://aguarelast.blogspot.com/2008_02_01_archive.html
Só continuando a reflectir sobre a natureza da violência e da intolerância, poderemos lutar contra a sua propagação.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Notas Soltas em torno de uma pausa-XI

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

A pausa chegava ao fim e Lisboa-casa recebia-me com estas tonalidades, como se me dissesse,
que por estas paragens (se eu tiver tempo e gosto para apreciar...) ia continuar a sentir o desafio de descobrir.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Notas Soltas em torno de uma pausa-X

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)Itálico
(Aguarelas de Turner)

O derradeiro local de paragem, antes de rumar a Lisboa foi S.Pedro do Sul.
Agora é a minha vez de evocar memórias. Umas férias, senão duas, lá pelos nove anos. Não poderei dizer que foram as férias da minha vida. Alguns episódios deixaram traços menos agradáveis. Contudo, quando no fim do ano me vi por ali, quis lá voltar. Não era a primeira vez certamente nestes anos todos. Mas eu queria voltar como se fosse uma primeira. Que procurava eu nas margens do Vouga, nos reflexos das árvores tombadas sobre rio, no imponente edifício do Hotel das Termas? Vi-me a olhar para uma das margens e a sorrir. Quase encontrei por ali aquela menina, um tanto ou quanto desajeitada, que adorava nadar, aprender a remar com o pai e dar pequenos choques ao barco do irmão...Por vezes o barco lá ficava encalhado na margem, e lá vinha o nosso pai empurrá-lo, com a sua força. O cheiro da água do rio as pedras escorregadias, cheias de limo, a areia grossa do leito , tudo isso está , e tudo por causa daquelas férias ...

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Notas Soltas em torno de uma pausa IX

(Aguarelas de Turner)

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)


Li alegria nos teus olhos ao reencontrares recantos que fazem parte das memórias da juventude. Por isso, deixo-te aqui mais algumas imagens de Lamego.
Para a minha amiga Tinta Azul http://aluaflutua.blogspot.com/ fica este post.

domingo, janeiro 11, 2009

Notas Soltas em torno de uma pausa VIII

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

Quando o tempo é escasso temos o desejo de o querer aproveitar, procurando realizar um programa que, mentalmente, desenhámos. No entanto, há dias em que o programa parece não encaixar. Foi o que me aconteceu ao visitar Lamego no primeiro dia do ano. Lamego também tinha feito uma pausa e a sua vida parecia pulsar ao ritmo do lazer. Em vez de tomar o pulso à cidade na sua azáfama diária, encontrei-a cheia de famílias deambulando na sua praça central numa confraternização quase familiar, bem diferente dos actuais hábitos lisboetas que deixam a cidade quase deserta.
Mesmo assim pude visitar a bela Sé de Lamego com a sua torre românica e a sua poderosa fachada.

sábado, janeiro 10, 2009

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Notas Soltas em torno de uma Pausa VII

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

Se as cidades estão repletas de motivos que nos apaixonam, a viagem não deixa de nos fazer descobrir outras tantas belezas, bastando permitir-mo-nos olhar formas e as tonalidades que o céu nos oferece. Deixo-vos aqui mais um bocadinho do que pude caçar.

Notas Soltas em torno de uma pausa VI

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

A amplitude da praça da Sé e a beleza do casario envolvente fizeram-me desejar deixar-me andar por ali, para poder descobrir mais pormenores e pequenos recantos. E, nem o cinzento do dia tirou o encanto a este belo lugar.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Notas Soltas em torno de uma pausa V


(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

terça-feira, janeiro 06, 2009

Notas Soltas em torno de uma pausa IV

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

O interior da Sé de Viseu torna-se particularmente interessante pelo encontro, bem articulado, das várias épocas que a percorreram. Observe-se esta ligação do românico-gótico com o barroco. Foi-me muito agradável reter estes pormenores.


http://arquitectura.pt/forum/f10/viseu-s-autor-desconhecido-t-pico-v-rios-elementos-m-dia-2055.html

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Notas Soltas em torno de uma pausa III

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
Tenho uma predilecção especial pelos espaços que se abrem ao interior, 0 que me faz não resistir ao fascínio dos claustros. Quando os encontro apetecia-me deixar-me por ali ficar, com um belo livro nas mãos, até chegar o fresco
do fim de tarde. Os antigos construtores souberam bem interpretar a necessidade que, também, temos de nos recolhermos.

sábado, janeiro 03, 2009

Notas Soltas em torno de uma pausa II

(Aguarelas de Turner)

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

Mais do que as grandes fachadas, são os pormenores que me agarram o olhar. Gostei muito deste belo portão da Igreja da Misericórdia ( e das possibilidades que me ofereceu com os seus reflexos na água), da beleza das árvores que do adro se observam, dos diferentes planos que se conseguem unir num só enquadramento... Fotografar é, também, uma forma de nos mostrarmos.

Notas Soltas em torno de uma pausa

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

Os dias de pausa ensinam-nos a olhar de outra maneira. Tudo à nossa volta tem novas cores, nova luz, novos recortes. Vou deixar-vos, por aqui, alguns traços do que pude captar por estes dias.

sexta-feira, janeiro 02, 2009