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domingo, novembro 22, 2009

Porquê?



...Descobrir que todos abrigamos nos nossos corações o selvagem, o criminoso e o animal não nos torna mais alegres.
- Qual è a sua objecção aos animais? replicou Freud- Eu prefiro infinitamente a companhia dos animais à companhia humana.
- Porquê?
- Porque são mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do Ego, que resulta da tentativa do homem de se adaptar a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, tal como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade pelas restrições que ela impõe. Este desejo de vingança anima o reformador profissional e o intrometido. O selvagem pode cortar-lhe a cabeça, pode comê-lo, pode torturá-lo, mas irá poupar-lhe as contínuas alfinetadas que tornam a vida numa comunidade civilizada por vezes quase intolerável. Os mais desagradáveis hábitos e idiossincrasias do homem, a sua dissimulação, a sua cobardia, a sua falta de reverência, são gerados pelo seu ajustamento incompleto a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre os nossos instintos e a nossa cultura. Como são mais agradáveis as emoções simples, directas e intensas de um cão, quando abana a cauda ou ladra o seu desprazer! As emoções de um cão- acrescentou Freud pensativamente- lembram-nos os heróis da Antiguidade. Talvez seja essa razão pela qual inconscientemente damos aos nossos cães nome de heróis antigos como Aquiles e Heitor.
- O meu próprio cão- disse eu-é um doberman pincher chamado Ajax.
Freud sorriu.
(...)

(Entrevista dada por Freud a George Sylvester Viereck.))

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