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sábado, junho 30, 2007

UM EXTRA hoje...



Jugioli e Crackdown



http://www.jugioli.blogspot.com/        http://crackdown.blogspot.com/


Como sou bastante avessa a fenómenos massificados começo por ter uma reacção de algum incómodo quando vejo prémios, classificações, nomeações, inter blogs Nada tem a ver esta minha reacção como o não reconhecimento do valor de muitos deles...No entanto, vejo-me com dificuldade a alinhar em fenómenos em cadeia. Acho esta característica tão intrínseca à minha natureza , (talvez, por ter visto em muitos momentos da minha vida, pessoas a tomar decisões impensadas, deixando-se engolfar em fenómenos de grupo) que posso aparentar alguma indiferença relativamente aos outros. A verdade é que preso, acima de tudo, a minha liberdade de pensamento e de escolha. Então porquê o trazer hoje, aqui ,um pouco de vaidadezinha? por duas razões. Duas "nomeações" diferentes e de diferentes lugares na mesma altura quase, tem alguma graça...Depois,... os seus nomes são simpáticos - "sete maravilhas" e "thinking blogger award"e as ideias subjacentes também ... Mas ...acreditam, a principal razão é que nenhum deles se me anunciou e nenhum deles eu conhecia...Foi assim uma simpática surpresa que me permitiu aceder a novos e belíssimos lugares...
Desculpem pois, se não consigo ir atrás da onda...mas não deixei de achar graça...São as nossas contradições!





Trova do Vento que Passa -Adriano Correia de Oliveira



Uma voz que sempre me comove

Reflexos do Olhar CIII

(Aguarelas de Turner) Casa no bosque

sexta-feira, junho 29, 2007

quinta-feira, junho 28, 2007

Um lugar...onde a luz incita à busca da verdade



Ilha de Cós

Eu sabia que tinha de haver um sítio

Onde o humano e o divino se tocassem

Não propriamente a terra do sagrado

Mas uma terra para o homem e para os deuses

Feitos à sua imagem e semelhança

Um lugar de harmonia

Com sua tragédia é certo

Mas onde a luz incita à busca da verdade

E onde o homem não tem outros limites

Senão os da sua própria liberdade




(Manuel Alegre)

Debussy e David Oistrakh

Reflexos do Olhar CII

(Aguarelas de Turner) por detrás das canas

quarta-feira, junho 27, 2007

Quem se lembra? Colette Magny!

Reflexos do Olhar CI

(Aguarelas de Turner) recortes

terça-feira, junho 26, 2007

segunda-feira, junho 25, 2007

Reflexos do Olhar C

(Aguarelas de Turner) passeio de fim de tarde

Inesquecível!

domingo, junho 24, 2007

Em frente à porta havia uma arca enorme...



É todo um mundo confuso, de penetração difícil, tanto mais difícil quanto mais pretendo pô-lo a claro, transparente. Não sei se houve primeiro lágrimas ou o som do harmónio. Em todo o caso lembro-me de duas casas- uma na Eira, outra no Adro. Sei que as lágrimas
e as estrelas eram na casa da Eira e a música do harmónio da casa do Adro.
Minha mãe disse-me que eu nasci na casa do Adro, e só um pouco mais tarde, quando a família a abandonou de todo, nos mudámos para a casa da Eira. Ambas eram casas pequenas, térreas, com duas divisões, mais que suficientes para mãe e filho viverem. Ainda há poucos dias vi essas casitas onde eu e a mãe começámos a ser um do outro, e pareceram-me incrivelmente pequenas, mais pequenas mesmo que certas salas de brinquedos que os meninos ricos têm na cidade.
Em frente da porta de entrada havia uma arca enorme. Sei que nessas arcas arrumam os pobres tudo o que têm : roupa do corpo, a roupa da cama, o milho para moer, o pão e a faca embrulhados num pano de linho grosseiro. Lembro-me do cheiro que sai da arca ao abrir- é um cheiro forte, são frutas naturais que a terra dá.
Ora um dia, quando me aproximei da arca-sabe-se lá se para dar a entender que queria pão- estava lá em cima uma coisa que eu nunca tinha visto. Em bicos de pés, deitei-lhe a mão e puxei.Então o que sucedeu foi maravilhoso: de dentro saiu um som bonito, mais bonito ainda do que a voz da minha mãe, que certamente, eu já ouvira cantar. E talvez não, talvez eu não tivesse ouvido ainda minha mãe cantar. Minha mãe era nesse tempo uma mulher triste.
Da casa da Eira só me lembro do quartito que dava para a cozinha. Um tabique separava-nos da casa da Ti Ana, uma velhota a quem minha mãe às vezes me deixava a guardar.Foi nesse quarto que a mãe me ensinou a rezar.(...)
Mas eu gostava mais de me meter com a velhota do que com as orações:
Ó Ti Ana! Ti Ana!
Faça-me um favor!
- Que é? perguntava a boa mulher, fingindo ignorar a resposta:
- Empreste-me a sua pele
pra fazer um tambor!
Mas isso foi bastante depois.(...)

Eugénio de Andrade

A POESIA DA ARQUITECTURA

(Ana Luíza Raposo)
Faculdade de Arquitectura . Porto (Siza Vieira)

(Ana Luiza Raposo)
Biblioteca de Aveiro(Siza Vieira)


Fundação Serralves-Porto (Siza Vieira)
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura189.as
A propósito da Trienal de Arquitectura 2007 e da Exposição de Siza Vieira no Museu de Electricidade

UMA BOA NOITE E UM BOM DOMINGO!

Nocturno nº 1 de Chopin- MARIA JOÃO PIRES

Deliciem-se como eu me deliciei e...bons sonhos...

sábado, junho 23, 2007

O silêncio por detrás da retórica...



"É o silêncio que deves escutar

o silêncio por detrás das alusões, das elisões
o silêncio por detrás da retórica
o silêncio do que se chama a perfeição formal
Isto é a busca do não-sentido
até no próprio sentido
e reciprocament
e
Ora tudo o que com arte escrevo
justamente é sem arte
e todo o cheio é vão
Tudo o que escrevi
está escrito entre as linhas
"

Gunnar Ekelöf

Tradução de Vasco Graça Moura.

Enviado por Amélia Pais http://barcosflores.blogspot.com/
http://cristalina.multiply.com/

Mariza - Barco Negro



Mariza - Concerto ao Vivo em Londres -canção Barco Negro
Barco Negro é uma das canções que Mariza interpretou no seu concerto " the Union Chapel, London-UK em 2003."

sexta-feira, junho 22, 2007

Coisas de terra são palavra...


A Árvore do Silêncio


Se a nossa voz crescesse, onde era a árvore?
Em que pontas, a corola do silêncio?
Coração já cansado, és raíz:
Uma ave te passe a outro país.

Coisas de terra são palavra:
Semeia o que calou.
Não faz sentido quem lavra
Se não colhe do que amou.

Assim, sílaba e folha, porque não
Num só ramo levá-las
Com a graça e o redondo de uma mão?

( Tu não te calas? Tu não te calas?!)

Vitorino Nemésio (5/08/1962)

ELLA!

quinta-feira, junho 21, 2007

Mistério, metafísica...


Chiúme 21.6.71

Meu amor querido

Nada, claro. Começo a desistir quase de esperar...Virá no avião de quarta-feira, se o avião vier, alguma coisa? Mistério e metafísica.
Hoje, passagem por aqui do brigadeiro comandante de sector. Suponho que se pensa acabar com a permanência da tropa aqui no Chiúme, retirando também a população. Para a evolução da guerra não sei que consequência traria- e je m' en fiche. Em relação a nós seria óptimo, porque isto é, realmente um sítio muito muito muito pouco agradável. Estive outro dia para mandar fotografias chiumescas- mas o cenário é tão pouco convidativo que acabei por não o fazer.
Entretanto, temos agora um filme do Cliff Richard e uma máquina. A fita passa todas as noites e já a vi 8 (oito) vezes 8 (oito). Se te disser que é aquilo que calculas que seja, poderás avaliar a gravidade da minha menopausa mental. Nunca pensei que se pudessem fazer coisas tão más. E o cantoreco, cheio de boquinhas e trejeitos e com uma popa que bate aos pontos a dos meus bons tempos, atinge o sétimo céu da monstruosidade! Entravam também os Shadows, qual deles o mais podão, e passa-se em Acapulco, com muito sol e muitas bananeiras. Coisas que aqui temos de sobejo, além da areia, claro.
O meu diagnóstico, contudo, é que continuarei a ver a fita enquanto aqui estiver. Eu e os outros.
Entretanto pratiquei hoje muito inglês também...E fui cumprimentado pelo meu acento. Ora toma!
Esta criança sente-se bem dentro da barriga materna, não? Começa cedo a manifestar falta de respeito. Se eu aí estivesse amandava-lhe dois berros e vias como ela nascia logo , toda lampeira...Gosto de tudo de ti. Lembra-te de mim, sim? Milhões e milhões de ternos beijinhos-
António


Até ao fim do mundo!

António Lobo Antunes ( D' este viver aqui neste papel descripto. Cartas de Guerra)

CARTAS DE GUERRA -António Lobo Antunes

quarta-feira, junho 20, 2007

Reflexos do Olhar XCIX

(Aguarelas de Turner) e o cardo tornara-se abrigo...

Tom Jobim e Vinicius - Felicidade

A exaltação do mínimo...




A magnólia


A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.

Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.

A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,

um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.

(Luíza Neto Jorge)

terça-feira, junho 19, 2007

Bodas de Fígaro- Cecilia Bartoli

O prazer profundo, inefável que é andar por estes campos desertos...




24 de Julho

O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir directamente na pele agitação furiosa do ar, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que se instale de felicidade. Que mais resta, então, senão chorar?

José Saramago (Cadernos de Lanzarote)

segunda-feira, junho 18, 2007

domingo, junho 17, 2007

UM DOMINGO COM BACH (Magnificat)


(Igreja de S. Roque) ( as fotografias possíveis...)



(Ton Koopman, Amsterdam Baroque Orchestra and Soloists )

(ontem em S. Roque no 10º aniversário do coro de câmara da universidade de Lisboa)

sábado, junho 16, 2007

Crescer como árvore, resistir ao vento...


O lugar da Casa

Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.

(Eugénio de Andrade)

Earning My Turns: Testing MarsEdit

Earning My Turns: Testing MarsEdit

VERDES ANOS




O inesquecível Carlos Paredes!

sexta-feira, junho 15, 2007

Reflexos do Olhar XCVIII

(Aguarelas de Turner) o lugar de todas as cores

OIÇAM!

A poesia não é voz...





A poesia não é voz- é uma inflexão


Dizer, diz tudo a prosa. No verso

nada se acrescenta a nada, somente

um jeito impalpável dá figura

ao sonho de cada um, expectativa

das formas por achar. No verso nasce

à palavra uma verdade que não acha

entre os escombros da prosa o seu caminho.

E aos homens um sentido que não há

nos gestos nem nas coisas:





vôo sem pássaro dentro.

(Adolfo Casais Monteiro)

quinta-feira, junho 14, 2007

BARBARA

Reflexos do Olhar XCVII

(Aguarelas de Turner) Chaminé com céu azul

quarta-feira, junho 13, 2007

EUGÉNIO EM TODAS AS LÍNGUAS

RECORDANDO EUGÉNIO!


Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
E dei às romãs a cor do lume.


Foi para ti que pus no céu a lua
e o verde mais verde dos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
Um corpo aberto como os animais.


(Eugénio de Andrade- Poemas 1945-1965)


O primeiro poema de Eugénio que li, já lá vão uns "aninhos"...

terça-feira, junho 12, 2007

Ron Mueck



Pude descobri-lo no Festival de Edimburgo do Verão passado. Uma investigação minuciosa da natureza humana...

Não é Júpiter, nem Thor...


Arma secreta

Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dipara em linha recta
mais longe que os foguetões.

Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.

A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.

Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.


(António Gedeão)

segunda-feira, junho 11, 2007

Reflexos do Olhar XCVI

(Aguarelas de Turner)

Não podia haver mais belo quintal no mundo...


(...O)utra paixão tinha eu além da dos folhetos: a das flores; ou antes: da jardinagem. Com os meus trinta réis, nos dias de mercado, comprava também raízes de flores, que transplantava para o meu quintal. Era um pequeno quintal atrás da casa, em parte ao lado, e a que davam acesso uns degraus de pedra toscos, íngremes e musgosos(...) Para mim não podia haver mais belo quintal no mundo!

José Régio (Uma anedota de gaiatos)

domingo, junho 10, 2007

UM DOMINGO COM MOZART



(Sonata para Violino e Piano in E menor K.304- segundo andamento)


sábado, junho 09, 2007

FERNANDO EM PESSOA (*)




Com a escolha deste video homenageio o Poeta e todos os seus amigos e amantes que continuam a pensar, a investigar a navegar por este seu interior infindável.

(*) "Fernando em Pessoa" - Ensaios de reflexão psicanalítica . Celeste Malpique. Fenda Edições

Piensa el sentimento, siente el pensamiento...


Credo Poético
Piensa el sentimento, siente el pensamiento;
que tus cantos tengan nidos en la tierra,
y que cuando en vuelo a los cielos suban
tras las nubes no se pierdan.

Peso necesitam, en las alas peso,
la columna de humo se disipa entera,
algo que no es musica es la poesia,
la pensada sólo queda.

Lo pensado es, no lo dudes, lo sentido.
Sentimento puro? Quien ello crea,
de la fuente del sentir nunca ha llegado
a la viva y honda vena

No te cuides en exceso del ropaje,
de escultor y no de sastre es tu tarea,
no te olvides de que nunca más hermosa
que desnuda está la idea.

No el que un alma encarna en carne, ten presente,
no el que forma da a la idea es el poeta,
sino que el que alma encuentra tras la carne,
tras la forma encuentra idea.


(Miguel de Unamuno) Antologia Poética

sexta-feira, junho 08, 2007

Monteverdi

Renascer é preciso...

(Botticelli)

Quando a Humanidade se rende homenagem a Rembrandt, se comove face ao etéreo da luz de Caravaggio, se confunde no escrutínio entre o dogma e a ficção e, do mesmo passo, se exalta nos mistérios do Código Da Vinci, caberia perguntar o porquê deste súbito fascínio pelo Renascimento. Uma pergunta que dispensa o regresso às raízes, ao humanismo racionalista de Erasmo, ao fanatismo panfletário de Lutero, aos escritos de Stendahl e Michelet, regeneradores de uma visão culturalmente identitária do Renascimento.
Porque a resposta só reside em nós e nesse prosaico mundo que nos rodeia: renascer é o anseio em emergir da obscuridade, de superar uma incerteza envolvente, de ganhar asas no vislumbrar de uma outra faceta da realidade, como se o globo fosse, afinal, um imenso cubo espelhado cujas multiplicidades reflectem um número variável-talvez infinito- de possibilidades.
Não se trata de um apelo à fantasia: ao contrário, a apologia da verdade, intemporal enquanto valor ético, converte-se hoje, em imperativo urgente.
Pois é essa mesma verdade, no desdobrar das suas facetas, que em si própria inculca o desafio à ideia de renascer, de reinventar, de reorganizar, de estimular, enfim, na volúpia do exercício de criar, a prodigalidade dessa matriz cromossomática com que a natureza dotou o Homem.
Vivemos um tempo de sombras, de abismos assustadores, de clivagens civilizacionais, de cismas mitificados.
E surpreendentemente, o que nessa amálgama nos parece atrair é a mórbida apetência para nos confundirmos com as trevas, ébrios de pessimismo, reféns de invejas, prisioneiros de derrotas antecipadas.
Até que, saciados de estéril miserabilismo, compreendemos, enfim, que em cada um de nós há ainda uma parcela de dádiva que nunca exercitámos, um subsídio escondido para uma ideia regeneradora, uma vontade esquecida para uma afirmação solidária.
Quem sabe se esse hodierno fascínio pelo Renascimento é, afinal, o sintoma dessa emergência, o despontar de uma nova tomada de consciência...
E que, tal como no Renascimento, esteja iminente o tempo em que floresça uma nova vontade de acreditar, uma renascida aspiração de criar um legado merecedor das gerações futuras.
Será sonho?
Talvez...
Mas outro dia, ao barbear-me ao espelho- creio que em 19 de Abril- confidenciou-me um senhor, já de certa idade: quando se sonha, há que sonhar grande!

Mário Assis Ferreira (in Egoista, Junho 2006-nº 27)



quinta-feira, junho 07, 2007

Fechem os olhos e oiçam...




(Nocturno Opus 27 No.2- Chopin) Lang-Lang

L' éffet-papillon de la parole...


Une sorte de «transmission de pensée» se réalise quand les paroles mélangent les mondes intérieurs de ceux qui parlent. Dans ce monde aérien où les mots représentent des images intimes, les paroles ont un «effet-papillon»: le simple fait de se préparer à parler allège la sensation que nous éprouvons de notre propre corps. Is ne s' agit plus d'opposer la parole à la biologie comme nous l' apprenent nos abusives découpes universitaires, il s' agit de proposer l' idée que la parole est au corps ce que le papillon est à la chenille. Ils vivent tous les deux dans des univers différents, l'un flottant en l´air et l´autre collée aux feuilles. Tous les deux pourtant sont en continuité! Le papillon ne pourrait exister s'il n'avait pas été chenille. La passage de la larve à l'imago s' effectue grâce à l´étonnant processus de la métamorphose. De même , nos enfants, avant la parole, vivent dans un monde d´intelligence préverbale où lentement, en vingt mois , ils se préparent à la métamorphose parolière. (...)Dés quíls parviennent à s'en servir, l' usage de leur corps est métamorphosé. (Boris Cyrulnik -Un Merveilleux Malheur)

quarta-feira, junho 06, 2007

Nunca os deuses capazes de os viver...

(Turner)


Bebido o luar

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.

Sophia de Mello Breyner

terça-feira, junho 05, 2007

ENYA_ORINOCO FLOW

Nasceremos de novo um para o outro...

(Aguarelas de Turner)

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos aproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobra amizade,
Nasceremos de novo um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com amizade construiremos tudo novamente
Cada vez de forma diferente
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembramos sempre.

Há duas formas para viver a vida
Uma é acreditar que não existe milagre
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein em "O Milagre da Vida"

segunda-feira, junho 04, 2007

domingo, junho 03, 2007

UM DOMINGO COM MARTIN HEIDEGGER

(Borisov)
O que é a verdade? O desleixo com que nos abandonamos ao uso desta palavra fundamental mostra quão medíocre e desajustado o nosso saber acerca da essência da verdade. Por "verdade" entende-se, a maior parte das vezes, esta ou aquela verdade.Isso significa :algo de verdadeiro. Algo deste género pode ser um conhecimento que se exprime numa preposição. Porém, não é apenas uma preposição aquilo que dizemos ser verdadeiro, mas também dizemos de uma coisa-ouro verdadeiro, por oposição a ouro falso. Aqui , "verdadeiro" significa o mesmo que ouro autêntico, ouro que é efectivamente real. O que é que significa aqui o referir-se ao que é efectivamente real? Vale, para nós, como tal o ente que é verdadeiramente. O verdadeiro é o que corresponde ao efectivamente real, e o efectivamente real é o que é verdadeiramente. O círculo fechou-se de novo.

(Martin Heidegger-Caminhos da Floresta)

sábado, junho 02, 2007

Havia um campo de trigo...

(B.Jones)
Sonhei comigo

Sonhei comigo
esta noite
Vi-me ao comprido
Deitada
Tinha estrelas
nos cabelos
em meus olhos
madrugadas
Sonhei comigo
esta noite
como queria
ser sonhada
Senti o calor da mão
percorrendo uma guitarra
De longe vinha um gemido
uma voz desabalada
Havia um campo
de trigo
um sol forte
me abrasava.
E acordei
meio sonhando
procurando
me encontrar
Quando me vi
ao espelho
era teu
o meu olhar.

(Eugénia Tabosa)

Reflexos do Olhar XCV


(Aguarelas Turner) escultura

este eucalipto poderá ser um ponto de partida para a escrita de um poema, um pequeno conto, ou apenas
um curtíssimo texto... Se quizerem responder ao desafio enviem-me os textos para o mail e veremos o que seremos
capazes de produzir em conjunto...

sexta-feira, junho 01, 2007