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domingo, novembro 26, 2006

UM DOMINGO COM MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

(Dali)

Ápice

O raio do sol da tarde

Que uma janela perdida
Refletiu
Num instante indiferente —
Arde,
Numa lembrança esvaída,
À minha memória de hoje
Subitamente...


Seu efêmero arrepio
Ziguezagueia, ondula, foge,
Pela minha retentiva...
— E não poder adivinhar
Porque mistério se me evoca
Esta idéia fugitiva,
Tão débil que mal me toca!...


— Ah, não sei porquê, mas certamente
raio cadente
Alguma coisa foi na minha sorte
Que a sua projeção atravessou...


Tanto segredo no destino de uma vida...
É como a idéia de Norte,
Preconcebida,
Que sempre me acompanhou...


( Mário de Sá-Carneiro)

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