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terça-feira, julho 20, 2010

o objecto inesgotável...

Rosa, em seu trono, pra os da Antiguidade
eras um cálice com um bordo simples.
Mas para nós és a flor plena, inumerável,
o objecto inesgotável.

Pareces  na opulência trajo sobre trajo
a envolver um corpo de nada mais que brilho;
mas cada pétala tua é a um tempo só
fuga e negação de toda a roupagem.

De há séculos teu perfume nos proclama 
os seus nomes de maior doçura;
de súbito, paira no ar como uma glória.

No entanto, não o sabemos nomear, adivinhamos...
E para ele passa a lembrança
que pedimos às horas invocáveis.

( Rainer Maria Rilke-  As Elegias de Duíno e Sonetos A Orfeu)

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