quinta-feira, dezembro 24, 2009

The Christmas Song- Nat King Cole

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Em jeito de mote a " O Vazio do Presépio" de "Ponteiros Parados"


Lá em minha casa foi um pouco diferente. O meu lado conservador está na árvore de Natal e o meu lado revolucionário está no presépio. Ora vejamos porquê.Os meus pais, num acto revolucionário, tinham relegado o presépio para os confins do nenhures. Faziam, contudo, da preparação da árvore de Natal um momento mágico. Cada bola, desembrulhada cuidadosamente, era colocada com todo o cuidado. Nós conhecíamos os enfeites, um a um, e tínhamos por eles o maior dos carinhos. E cada ano comprava-se sempre mais uma ou outra bola que vinha enriquecer o nosso "tesouro". Depois vinham as velas a sério( qual, luzes eléctricas...) que eram acesas num momento especial, sempre com muito cuidado, para que nenhuma pegasse ao pinheiro. Era tão bom aquele momento que chegámos a fazer uma cama junto à árvore para não perdermos nenhum momento. O vazio que mais tarde se gerou foi a dificuldade que senti de voltar a sentir o que sentia nesses tempos.A Árvore, continua a estar  presente cá em casa por esta altura, mas algures a chama apagou-se. A ela veio juntar-se há uns anos valentes um presépio. E porquê? Porque os filhos resolveram introduzir esse cunho humanizado ao Natal- um bebé, um pai e uma mãe e uma família alargada  com muitos bichinhos. A apanha do musgo passou a fazer parte dos novos rituais da casa. Perguntava-me sempre se não estaria a trair a minha tradição, mas encontrava sempre alguma consolação ao descobrir a alegria dos miúdos com a feitura do presépio. Assim, quando se quando fala de " o vazio do presépio" eu leio-o mais como o "vazio da magia". Julgo ser esse o melhor testemunho que poderemos transmitir aos nossos filhos e netos, e essa pode acontecer das mais variadas maneiras, ou então de maneira nenhuma.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Um velho livro de quadradinhos..



RECEITA PARA UM NATAL

Primeiro, ficar parado
durante um momento, de pé
ou sentado, numa sala ou mesmo
noutra dependência do lar.
Depois preparar
os olhos, as mãos, a memória
e outros utensílios indispensáveis. A seguir
começar a reunir
coisas, por ordem bem do interior
do coração e do pensamento:
a ternura dos avós, uma mancheia;
rostos de primos distantes, uma pitada;
sons de sinos ao longe, quanto baste;
a recordação duma rua, uns bocadinhos
um velho livro de quadradinhos
duas angústias mais tardias, alguns restos de azevias,
a lembrança de vizinhos ainda vivos mas ausentes
e de uns já passados.
Quatro beijos de seres amados ou de parentes
um cachecol de boa lã cinzenta aos quadrados
e um pouco de azeite puro e fresco
igual ao que a mãe usava noutro tempo saudoso.
Mexe-se bem, leva-se ao forno
e fica pronto e saboroso
- mesmo que, nostálgica, se solte uma pequena lágrima.

Nicolau Saião


(publicado no "Aguarelas de Turner" no 1º Natal do blog -2005-e oferecido por "Ao longe barco de flores")

domingo, dezembro 20, 2009

Tudo começava pela cúmplice neblina


                                 (Turner)                
 
                                            PRELÚDIO DE NATAL  
                                                                 

Tudo principiava
pela cúmplice neblina
que vinha perfumada
de lenha e tangerinas

Só depois se rasgava
a primeira cortina
E dispersa e dourada
no palco das vitrinas

a festa começava
entre odor a resina
e gosto a noz-moscada
e vozes femininas

A cidade ficava
sob a luz vespertina
pelas montras cercada
de paisagens alpinas


David Mourão-Ferreira

sábado, dezembro 19, 2009

Weihnachtsoratorium IV- J. S. Bach




Esta noite na Gulbenkian um momento da melhor música de Natal:  
http://www.musica.gulbenkian.pt/cgi-bin/wnp_db_dynamic_record.pl?dn=db_musica_season_2009_2010_pt&sn=all&orn=36

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Natal à volta da lareira


                             (Aguarelas de Turner)

O Natal este ano aqui"abre-se", acendendo a lareira. Ela estará acesa enquanto durar esta época. Do Natal gosto, acima de tudo, da possibilidade de nos reunirmos em torno da família e dos amigos. Sentarmo-nos em torno de um fogo bem esperto e ateado, acende-nos o apetite para um convívio partilhado. Venham daí sempre que vos apetecer. Vamos conversar à volta da lareira.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Um pouco de luz neste Inverno- O Impressionismo

segunda-feira, dezembro 14, 2009

"Ágora" em debate



 Acabei de sair deste filme, não tendo tido ainda a distância suficiente para uma análise um pouco mais reflectida. Não me sentindo preparada para o analisar do ponto de vista da sua exatidão histórica, vi-o como um libelo contra todas as formas de violência presentes no dogmatismo das religiões e das ideologias. Contra a destruição da ciência, da cultura, do pensamento,  da independência e, em última instância, da vida,  é vital  e urgente continuarmos a erguermo-nos. Penso que seria um filme importante a ser visto e debatido nas aulas de história, filosofia e, porque não, de física e matemática. Temos o dever de continuar a denunciar e desmontar todas as formas de violência, "devidamente justificadas" por ideias ou por uma qualquer fé.

sábado, dezembro 12, 2009

Burros do Presépio- A Barbearia no seu melhor!


                                         (transformação de "Aguarelas de Turner")
Este nosso amigo ( "O jumento é nosso irmão/ quer queiram/ quer não"-Gonzagão) percorreu um árduo e doloroso caminho para se apresentar, a tempo e horas, no presépio da Barbearia. Assim, poderão melhor perceber esta sua expressão carente, esperando que a chuva que o encharcou durante a viagem, não o impossibilite de poder emitir os seus bafos, sempre tão desejados e necessários... Vai daqui um apelo  ao  dono do Presépio para que lhe proporcione um rápido aquecimento.                    

As estrelas acordavam do fundo do mar...



                             (Aivazovsky)

A UMA ESTRANGEIRA
Lembrança de uma noite no mar

Sens-tu mom coeur, comme il palpite?
Le tien comme il battait gaiement!
Je m'en vais pourtant, ma petite,
Bien loin, bien vite,
Toujours t'aimant.  Chanson

Inês! nas terras distantes,
Aonde vives talvez,
Inda lembram-te os instantes
Daquela noite divina?...
Estrangeira, peregrina,
Quem sabes?- Lembras-te, Inês?

Branda noite! A noite imensa
Não era um ninho? - Talvez!...
Do Atlântico a vaga extensa
Não era um berço?- Oh Se o era...
Berço e ninho...ai primavera!
O ninho, o berço de Inês.

Às vezes estremecias...
Era de febre? Talvez...
Eu pegava-te as mãos frias
P´ra aquentá-las em meus beijos...
Oh! palidez! Oh! desejos!
Oh! longos cílios de Inês.

Na proa os nautas cantavam;
Eram saudades?...Talvez!
Nossos beijos estalavam
Como estala a castanhola...
Lembras-te acaso, espanhola?
Acaso lembras-te, Inês?

Meus olhos nos teus morriam...
Seria vida?- Talvez!
E meus prantos te diziam:
" Tu levas minh'alma , ó filha,
Nas rendas desta mantilha...
Na tua mantilha, Inês!"

De Cadiz o aroma ainda
Tinhas no seio...- Talvez!
De Buenos Aires a linda,
Volvendo aos lares, trazia
As rosas de Andaluzia
Nas lisas faces de Inês!

E volvia  a Americana
Do Plata às vagas...Talvez?
E a brisa amorosa, insana
Misturava os meus cabelos
Aos cachos escuros, belos,
Aos negros cachos de Inês!

As estrelas acordavam
Do fundo do mar...Talvez!
Na proa as ondas cantavam,
E a serenata divina
Tu, tu com a ponta da botina,
Marcavas no chão...Inês!

Não era cumplicidade
Do céu, dos mares? Talvez!
Dir-se-ia que a imensidade
- Conspiradora mimosa-
Dizia à vaga amorosa:
"Segreda amores a Inês!"

E como um véu transparente,
Um véu de noiva...talvez,
Da lua o raio tremente
Te enchia de casto brilho...
E a rastos no tombadilho
Caía a teus pés...Inês!

E essa noite delirante
Pudeste esquecer?- Talvez...
Ou talvez que neste instante,
Lembrando-te inda saudosa,
Suspires, moça formosa!...
Talvez te lembres ...Inês.

(Castro Alves- Lêdo Ivo selecção)

Pelos meus 13 anos, talvez, vibrei com a peça de teatro de Jorge Amado - O Amor do Soldado- escrita para celebrar o centenário do nascimento de Castro Alves, que morrera apenas com 24 anos, vítima de um desgosto amoroso que veio a culminar numa tuberculose. Esta peça foi-me trazida por uma amigo mais velho, sendo por nós lida e ensaiada vezes sem conta. Como memória esbatida recordo uma mescla entre um clima amoroso forte e intenso, aliado a uma "incendiada" luta política. O que um poema nos traz à ré....