Ficávamos no quarto até anoitecer, ao conseguirmos
Situar num mesmo poema o coração e a pele quase podíamos
Erguer entre eles uma parede e abrir
Depois caminho à água.
Quem pelo seu sorriso então se aventurasse achar-se-ia
De súbito em profundas minas, a memória
Das suas mais longínquas galerias
Extrai aquilo de que é feito o coração.
Ficávamos no quarto, onde por vezes
O mar vinha irromper. É sem dúvida em dias de maior
Paixão que pelo coração se chega à pele.
Não há então entre eles nenhum desnível.
(Luís Miguel Nava)

Turner na liberdade das suas aguarelas dá-nos a emoção do olhar e do sentir em estado puro.
Este espaço propõe-se convocar, pela voz dos que sabem, múltiplos instantes de vida: luz e sombra; esquecimento e memória; vida e morte...
"Seja qual fôr o caminho que eu escolher um poeta já passou por ele antes de mim"
S. Freud
domingo, setembro 25, 2011
Não há então entre eles nenhum desnível...

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Muito bonito!
ResponderEliminarBelíssimo! Foi para a pasta dos meus poemas de luxo.
ResponderEliminarPerfeito equilíbrio.
ResponderEliminarFiquei sem palavras!
ResponderEliminarPelo coração acha-se muito bonito mas de muito difícil interpretação!
ResponderEliminarBelas imagens, mas bastante hermético.