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quinta-feira, abril 30, 2009

Santillana e os seus encantos

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

Depois de um dia dedicado a Altamira e ao seu aliciante museu, fui até este maravilhoso lugar, paraíso de todos os fotógrafos amadores. Era difícil não encontrar, passo a passo, cada visitante agarrado à sua caixa mágica, procurando o melhor enquadramento, o melhor ângulo, o melhor contraste de luz e sombra. O Sol voltara a trazer o colorido a todas as coisas, trazendo a Santillana del Mar toda a sua fotogenia. Deixei-me encantar.

Um salto pequenino aos Picos da Europa

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

quarta-feira, abril 29, 2009

Para ti, hoje

(foto do filhote, um pouco tratada pela sua mamã)

É bom ser pequenininho e estar envolvido por todos os que nos querem. É muito bom ter já chegado aos 17, questionando a existência, lutando, diariamente, para vencer obstáculos,
desenvolvendo um sentido de humor subtil e inesperado, sendo terno e sensível de uma forma discreta...
Parabéns, querido filho.

terça-feira, abril 28, 2009

Em torno da ponte romana - Cangas de Onis

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

A ponte romana de Cangas de Onis e o seu rio Sella são dois encantos inseparáveis. Soube-me bem atravessar a ponte com o seu percurso em arco, "calcetado" com pedra gorda, rolada, capaz de se fazer sentir mesmo através de "solas" mais bem preparadas. Era como se esse momentâneo incómodo me ajudasse a viajar em sonhos aos primeiros séculos do milénio. É bem verdade que todos precisamos de continuar a sonhar...

segunda-feira, abril 27, 2009

Llanes, na despedida

Não poderia deixar Llanes sem vos trazer um pouco do seu porto e da sua praia. É certo que o frio e o vento apertavam, levando-me a procurar instintivamente outros abrigos. Um deles, um restaurante muito agradável numa daquelas ruas junto ao porto, recheadas de lugares onde se pode petiscar-Siderias- ou comer mais a preceito. Uma coisa era certa, apesar do tempo agreste que se fazia sentir, as ruas, as esplanadas, os restaurantes estavam chei0s de gentes que passeavam e festejavam, cada qual à sua maneira, aquele Domingo de Ramos. Pude assistir a uma divertida exposição de vespas e lambretas, seguida de desfile, num passeio amplo junto ao porto. E os fotógrafos, com todo o seu arsenal, lá se encontravam empoleirados...

sábado, abril 25, 2009

De Sábado para Domingo um filme- Gran Torino


Muitos já me tinham falado de mais esta Obra de Clint EastWood. Corri o risco de a perder.
Uma vez mais, a força interior deste realizador e intérprete impôs-se em toda a sua intensidade e dramatismo. Muito embora se encontrem muitos pontos comuns a outras obras suas, senti, ao ver este filme, como o seu autor não desiste de percorrer o drama interior daquele que se encerra em si mesmo, usando, defensivamente, o ódio e a distância afectiva para proteger a sua imensa dor e fragilidade.

http://lauroantonioapresenta.blogspot.com/2009/04/cinema-gran-torino.html

Porquê a Chuva


Do fascismo propriamente dito, do que me lembro melhor é da chuva. Se alguém me pedisse para dizer a primeira coisa que me viesse à cabeça perante a palavra "fascismo", seria forçosamente "chuva".

Criança ainda, a minha imagem mais forte do fascismo são aqueles chuvosos finais de domingo que antecipavam uma semana na escola nas mãos e olhos pérfidos do professor Lagarto, uma mistura de professor e de ogre que esperava por nós diariamente no seu castelo amaldiçoado. Os inícios de domingo, ainda que chovesse, eram um espaço de liberdade: um dia sem ter de olhar para o mórbido crucifixo ao fundo da sala ou para os mapas das colónias pintados de um cínico colorido. Um domingo de brincadeira, em que a nossa alma não era lavada, esfregada, centrifugada para, finalmente, ser posta a secar ao vento.


E a angústia estava exactamente aí: na percepção de que, no fim de cada domingo, quando a escuridão já fazia adivinhar as trevas que desciam sobre as nossas vidas, a liberdade chegava ao fim, e em que a chuva, com a sua maldita humidade, passava a criar bolor numa alegria que degenerava facilmente em angústia.


É engraçado. Hoje, por muito que pense no fascismo de um ponto de vista político económico, social, económico, cultural, é sempre a imagem da chuva que prevalece. A chuva não é, neste sentido, nem um conceito, nem uma sensação: é ambas as coisas. A chuva, enquanto forma pessoal e íntima de lembrar o fascismo, tal como certos cheiros ou sabores, dá-me ao conceito de fascismo uma imagem ou sensação. Ao pensar nos obscuros finais de domingo, a chuva permite juntar o pensamento e a sensação numa única gaveta.
Como nunca fui preso, censurado, torturado, exilado, o fascismo, para mim, está todo concentrado naquela atmosfera fria, cinzenta e chuvosa que transformava a liberdade de domingo em angústia de domingo.


O 25 de Abril, por isso, teria de ser um cinzento e chuvoso: uma despedida, um epílogo, um pouco como aquilo que fazemos quando nos vamos embora de um sítio e, por uma última vez, viramos a cabeça para guardar uma imagem final. É por isso que o verdadeiro 25 de Abril não foi no dia 25 de Abril. O 25 de Abril a sério foi no primeiro 1ºde Maio. Nesse dia, lembro-me bem, o dia despertou com sol. E a chuva, nesse dia, não passou de uma inofensiva recordação. Tão inofensiva que já nem sequer precisava de um chapéu de chuva para a memória ter de se abrigar.

in "PONTEIROS PARADOS"- José Ricardo Costa- http://ponteirosparados.blogspot.com


Na crónica de José Ricardo Costa sobre o 25 de Abril é a "alma" da criança presente no homem de hoje que narra, sensorialmente, a opressão então presente em todos os momentos da nossa vida. O seu professor Lagarto era congénere da minha professora da 2ª classe, D. Idalina, de alguns anos antes, que sabendo-me não-católica, não-apostólica, não-romana, e, portanto, resistente às suas orações matinais, me levava a ajoelhar-me no estrado voltada para a classe inteira. Era assim, nas coisas mais pequenas e mais simples. É por isso que a chuva deve ser aqui chamada. Era ela também que eu evocava quando desejava que as cadernetas das D.Idalinas se dissolvessem nas águas de Inverno durante o meu trajecto para casa. A chuva das nossas angústias e das nossas lágrimas caladas.

35 ANOS, Felizmente.


As coisas melhores da nossa vida ao serem festejadas, ano após ano, correm o enorme risco da mortificação , por via do ritual. Cabe a cada um de nós fazer nascer a Festa reencontrando-a das mais diversas maneiras. E esta Festa vale mesmo a pena. É o nosso oxigénio, a nossa água, o nosso sol.

sexta-feira, abril 24, 2009

A poesia veio conversar comigo

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

(Aguarelas de Turner)

À medida que me aproximava do coração do castro medieval encontrava-me rodeada de famílias que festejavam o Domingo de Ramos numa procissão com origem na Capela de Sta Madalena e na Basílica de Santa Maria. Foi-me agradável observar o encontro de uma pequena comunidade, onde era visível o ar festivo da maioria das pessoas. Não tendo a cerimónia religiosa para mim um significado interno, fui encontrá-lo na poesia que ia nascendo à medida que caminhava. Placas isoladas de metal iam-se ligando num cântico poético que ficava a ecoar nos meus ouvidos. À semelhança dos poemas em azulejos em Praia da Vitória, a poesia veio conversar comigo.

quinta-feira, abril 23, 2009

Percorrendo Llanes

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

quarta-feira, abril 22, 2009

Lhanes, primeira "amurada" das Astúrias


(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

(Aguarelas de Turner)

Llanes era a vila mais próxima do lugar onde "assentei arrais" . Como acontece em todas as viagens há que começar por fazer o reconhecimento dos lugares mais próximos. Começa por ser um olhar que apenas recolhe uma imagem gestalt das primeiras "imagens", para, pouco a pouco, deixarmos a superfície penetrando no interior das ruas, olhando as pessoas que as habitam, começando a reparar no que nos causa o primeiro impacto. Em Llanes, terra claramente de vraneio nos meses de Verão, "dei com o nariz" neste torreão da muralha devidamente "casado"com esta bela árvore florida -uma fruteira, talvez-que tomei como símbolo de Llanes. Este foi o meu ponto de partida para poder saborear um lugar com uma forte presença medieval.

segunda-feira, abril 20, 2009

As flores da chegada

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

Procurando adaptar-me às chuvas que fui encontrar, agarrei-me às cores que me receberam à chegada.Elas ajudaram-me na transição do sol de Salamanca para o cinzento das Astúrias.

domingo, abril 19, 2009

O céu de Salamanca

(Aguarelas de Turner)

Salamanca era um local de passagem. Havia que meter "pernas ao caminho" para chegar às Astúrias, mais propriamente a uma pequena aldeia - Vidiago- a poucos kilómetros de Llanes. Salamanca iria ficar para trás, com todo o seu encanto e a sua história. Ficava também com ela o sol que conseguira aquecer os dias frios, o dourado da pedra e o céu de Salamanca.


sábado, abril 18, 2009

Museu de Salamanca e Unamuno

O salão de honra da Universidade de Salamanca estava repleto. Do lado de fora do antiquíssimo prédio, regulares marroquinos e os tercios da Legião Estrangeira montavam guarda. Lá dentro, falangistas - os fascistas espanhóis - com suas camisas azuis misturavam-se com estudantes e professores e demais autoridades, entre elas a esposa do general Franco. Era o 12 de outubro - o Dia da Raça - a data em que o patriciado espanhol escolhera para celebrar sua pureza de sangue e sua fé na ortodoxia católica. Não se tratava pois, de uma celebração qualquer. O clima era tenso pois a Espanha encontrava-se em guerra civil. Quatro meses antes, no dia 18 de julho de 1936, o general Franco liderara um levante militar contra a república e o país dividiu-se em duas zonas, a nacionalista, dominada pelo exército e pelos fascistas da Falange Espanhola, e a zona republicana sob o controle dos democratas, esquerdistas e anarquistas.


Foi então que o general Millán Astray tomou a palavra. Ele era um militar mutilado pela guerra no Riff e comandava as tropas coloniais que haviam desembarcado na Espanha, alçadas para derrubar o regime republicano da Frente Popular. Começou sua peroração amaldiçoando os bascos e os catalões por seu desejo autonomista, prometendo que o fascismo iria "exterminar aquele câncer, cortando ambos em carne viva... e sem falsos sentimentos". Do salão veio um grito que tornou-se a divisa do general Astray: "Viva la merte"

O reitor indignado com o que estava ouvindo ergueu-se então. Era Don Miguel de Unamuno, o mais prestigiado dos pensadores espanhóis daqueles tempos. Virou-se para o general Astray e disse-lhe que não poderia permitir que bascos e catalões fossem vilipendiados na sua presença. E que também não aceitaria que em plena casa da sabedoria viessem aclamar a morte, com "um brado necrófilo e insensato". Atribuiu aquele desvario todo ao fato do general ser "um aleijado destituído da grandeza moral de Cervantes", que tendia a compensar-se da sua desgraça procurando mutilações ao seu redor. Nesse momento, ao escutar as derradeiras palavras de Unamuno, o general Astray furioso e de pé, fazendo a saudação fascista, bradou: "Abajo la Inteligencia!", complementando com mais um "Viva la Muerte!"

Em Defesa da Inteligência

Unamuno não se intimidou. Voltou-se para ele e disse-lhe: "este é o templo da inteligência. E eu sou o sacerdote mais alto. Sois vós que profanais este sagrado recinto. Ganhareis, porque possuís mais do que a força bruta necessária. Mas não convencereis - Venceraos pero no convenceraos! - porque para convencer é necessário persuadir. E para isso vos falta a razão e o direito em vossa luta."

Então, em meio a um silêncio constrangedor daquela multidão uniformizada que repentinamente emudecera, o reitor retirou-se do recinto. Os militares e os falangistas não o prenderam naquele momento porque temiam as repercussões negativas que certamente viriam do mundo inteiro se o jogassem num calabouço. Recentemente os fascistas ainda ressentiam-se da propaganda negativa que fora o brutal fuzilamento do poeta Garcia Llorca, morto com tiros pelas costas em Granada, não desejavam um outro desastre publicitário da mesma ordem.(...)

in http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/unamuno2.htm


Nota: por falha minha não registei os nomes dos pintores e do escultor que...julgava não esquecer...

quinta-feira, abril 16, 2009

A Universidade de Salamanca-Estudos "Menores"

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
Numa das poucas tardes quentes destes dias entrei neste espaço e deixei-me ficar, esperando a abertura do Museu.O silêncio que se respirava neste pátio interior, a par da luz branca que tudo inundava, projectou-me a outros espaços (Norte de África) que também chamam à interioridade. Fez-me bem ali estar.

quarta-feira, abril 15, 2009

A Catedral de Salamanca-pormenores

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

Ao determo-nos sobre o portal da Catedral, deixando conduzir o olhar pelos pormenores que nos chamam, leva-nos a olhar o Sagrado e Profano como duas faces de uma mesma moeda. Ora vejam!

terça-feira, abril 14, 2009

Em torno da Casa das Conchas

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

O que olhamos quando viajamos? Que trazemos na bagagem? Que partilha "impossível" procuramos fazer? O que vemos?O que sonhamos? As portas interiores que as viagens nos abrem, ou aquelas que ficaram, ainda, por abrir?

segunda-feira, abril 13, 2009

A Caminho das Astúrias...

(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)
(Aguarelas de Turner)

Acabadinha de chegar, quero deixar-vos, apenas, um rápido apontamento de como encontrei a Praça Maior de Salamanca. Havia vida, havia festa.

quinta-feira, abril 02, 2009

Uma pausa bem desejada - até breve!

(Aguarelas de Turner)

Porque vivimos a golpes...

(Gabriel Celaya)

LA POESÍA ES UN ARMA CARGADA DE FUTURO


Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,

mas se palpita y se sigue más acá de la conciencia,

fieramente existiendo, ciegamente afirmando,

como un pulso que golpea las tinieblas,


cuando se miran de frente

los vertiginosos ojos claros de la muerte,

se dicen las verdades:

las bárbaras, terribles, amorosas crueldades.


Se dicen lo poemas

que ensanchan los pulmones de cuantos, asfixiados,

piden ser, piden ritmo,

piden ley para aquello que sienten excesivo,

con la velocidad del instinto,

con el rayo del prodigio,

como mágica evidencia, lo real se nos convierte

en lo idéntico a sí mismo.


Poesía para el pobre, poesía necesaria

como el pan de cada día,

como el aire que exigimos trece veces por minuto,

para ser y en tanto somos dar un sí que glorifica.


Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan

decir que somos quien somos,

nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno.

Estamos tocando el fondo.


Maldigo la poesía concebida como un lujo

cultural por los neutrales

que, lavándose las manos, se desentienden y evaden.

Maldigo la poesía de quien no toma partido hasta mancharse.


Hago mías las faltas. Siento en mí a cuantos sufren

y canto respirando.

Canto, y canto, y cantando más allá de mis penas

personales, me ensancho.


Quisiera daros vida, provocar nuevos actos,

y calculo por eso con técnica, qué puedo.

Me siento un ingeniero del verso y un obrero

que trabaja con otros a España en sus aceros.


Tal es mi poesía: poesía-herramienta

a la vez que latido de lo unánime y ciego.

Tal es, arma cargada de futuro expansivo

con que te apunto al pecho.


No es una poesía gota a gota pensada.

No es un bello producto. No es un fruto perfecto.

Es algo como el aire que todos respiramos

y es el canto que espacia cuanto dentro llevamos.


Son palabras que todos repetimos sintiendo

como nuestras, y vuelan. Son más que lo mentado.

Son lo más necesario: lo que no tiene nombre.

Son gritos en el cielo, y en la tierra, son actos.

(Gabriel Cellaya - De Cantos Iberos, 1955)