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segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares...

A Flor


" Je travaille tant que je peux et le mieux que je peux, toute la journée. Je donne toute ma mesure, tous mesmes moyens. Et après, si que j'ai fait n'est pas bon, je n'en suis responsable. C' est que je ne peux vraiment pas faire mieux".
 Henri Matisse

Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!


(Almada Negreiros)

4 comentários:

  1. Um texto que é sempre um encanto rever...

    (Pedia o favor de desligares o verificador de palavras... é chatíssimo!)

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  2. Para não dizerem que não falaste de flores.
    Lindo!

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  3. Pois...as flores ficam sempre bem em qualquer jardim...

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