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sábado, novembro 27, 2010

Ficando longe e perto, Infindo

                                  (Aguarelas de Turner)
 
         Manhã de névoa

          A névoa foi crescendo instante a instante,
          Já não há mar, nem céu,
          No seu ondeante
          Véu.

         O próprio areal deserto
         Se vai indefenindo,
         Ficando longe e perto,
         Infindo.

        Diluídas nessas mãos estranhas
        Que se diria nem as roçam,
        Para os lados da terra, as curvas das montanhas
        Mal se esboçam.

       Como numa aguarela
        Aérea,
Tudo, em redor, perde os contornos,-vela
       De espírito a matéria.

Não venhas,Sol, denunciador agreste,
Com teu brutal clarão jucundo,
Desmentir este
Delicioso fim do mundo!

(José Régio- Cântico Negro)

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