(Aguarelas de Turner) Cores do tempo...
Turner na liberdade das suas aguarelas dá-nos a emoção do olhar e do sentir em estado puro.Este espaço propõe-se convocar, pela voz dos que sabem, múltiplos instantes de vida: luz e sombra; esquecimento e memória; vida e morte...
"Seja qual fôr o caminho que eu escolher um poeta já passou por ele antes de mim"
S. Freud
terça-feira, outubro 10, 2006
Reflexos do Olhar XL
Olhar o mundo à minha volta,
gostar dos que me são queridos,
usar, da melhor maneira, aquilo, que julgo saber...
segunda-feira, outubro 09, 2006
Reflexos do Olhar XXXIX
Olhar o mundo à minha volta,
gostar dos que me são queridos,
usar, da melhor maneira, aquilo, que julgo saber...
Só assim entendi que pudéssemos fazer tanto....
(Escher)Ao entardecer enfrentei o aguaceiro, cujos ventos de furacão ameaçavam desconjuntar a casa. Sofri um ataque de espirros sucessivos, doía-me a cabeça e tinha febre, mas sentia-me possuído por uma força e uma determinação que nunca tive em idade nenhuma nem por causa nenhuma. Pus vasilhas no chão para receber as goteiras e apercebi-me que tinham aparecido outras novas desde o anterior. A maior havia começado a inundar o lado direito da biblioteca. Apressei-me a resgatar os autores gregos e latinos que viviam por aqueles lados, mas ao tirar os livros deparei com um jacto de alta pressão que saía de cano roto no fundo da parede. Amordacei-o com trapos até onde pude a fim de ter tempo para salvar os livros.(...)
Quando passou o aguaceiro continuava com a sensação de não estar só em casa. A minha única explicação é que assim como os factos reais se esquecem, também alguns que nunca existiram podem estar nas recordações como se tivessem existido. Pois se evocava o aparecimento do aguaceiro não me via a mim mesmo só na casa mas sempre acompanhado por Delgadinha. Sentira-a tão perto naquela noite que ouvia o rumor da sua respiração no quarto de dormir, e o pulsar da sua face na almofada.Só assim entendi que tivéssemos podido fazer tanto em tão pouco tempo.Lembrava-me de estar empoleirado no escabelo da biblioteca e lembrava-me dela acordada com seu vestidinho de flores recebendo os livros para os pôr a salvo. Vi-a correr de um lado para o outro da casa lutando com a tempestade, encharcada com água pelos tornozelos.Lembrava-me como preparou no dia seguinte um pequeno almoço que nunca existiu, e pôs a mesa enquanto secava o chão e punha ordem no naufrágio da casa Nunca esqueci o seu olhar sombrio enquanto tomávamos o pequeno-almoço: Porque me conheceste tão velho?Respondi-lhe a verdade: A idade não é a que temos mas a que sentimos.
Desde então tive-a na minha memória com tal nitidez que fazia dela o que queria.Mudava-lhe a cor dos olhos conforme o meu estado de espírito: cor de água ao despertar, cor de calda de açúcar quando ria, cor de fogo quando a contrariava.Vestia-a de acordo com a idade e a condição que convinham às minhas mudanças de humor: noviça apaixonada aos vinte anos, puta de salão aos quarenta, rainha da Babilónia aos setenta, santa aos cem. Cantávamos duetos de amor de Puccinni, boleros de Agustín Lara, tangos de Carlos Gardel, e verificávamos uma vez mais que os que não cantam não podem sequer imaginar o que é a felicidade de cantar. Hoje sei que não foi uma alucinação mas mais um milagre do primeiro amor da minha vida aos noventa anos.
Gabriel García Márquez (Memória das minhas putas tristes)
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gostar dos que me são queridos,
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domingo, outubro 08, 2006
Reflexos do Olhar XXXVIII
Olhar o mundo à minha volta,
gostar dos que me são queridos,
usar, da melhor maneira, aquilo, que julgo saber...
UM DOMINGO COM GASTÃO CRUZ
(Turner)Outono do amor que folhas moves
na direcção dos corpos separados
e molhas desses prantos ignorados
de quem da primavera conheceu o
movimento das aves
e desse movimento estas esperas
agora só conhece já e ouve
a própria descida com as folhas
a voz própria cansada
quando a vida
e a voz lhes está a dor tirando
Outono do amor outono de aves
e de vozes caladas e de folhas
molhadas de temor e surdo pranto
Gastão Cruz
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<a href="http://">Enviado por Amélia Pais
http://barcosflores.blogspot.com/
http://cristalina.multiply.com/
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sábado, outubro 07, 2006
Vem serenidade...

Vem, serenidade!
Vem cobrir a longa
fadiga dos homens,
este antigo desejo de nunca ser feliz
a não ser pela dupla humidade das bocas.
Vem, serenidade!
faz com que os beijos cheguem à altura dos ombros
e com que os ombros subam à altura dos lábios,
faz com que os lábios cheguem à altura dos beijos.
Raul de Carvalho
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gostar dos que me são queridos,
usar, da melhor maneira, aquilo, que julgo saber...
Reflexos do Olhar XXXVII
Olhar o mundo à minha volta,
gostar dos que me são queridos,
usar, da melhor maneira, aquilo, que julgo saber...
Vi-o chegar no dorso de um golfinho...
(Aguarelas de Turner) Apolo em Delfos
"Vi-o chegar no dorso de um golfinho, salpicando a pedra das colunas com o aroma das folhas de loureiro. Saiu do rasgo das nuvens e a terra inquietou-se no vapor da rocha sibilina.
Nas águas ondulantes espelhou-se a nudez, no seu recorte, e a folhagem murmurava a elegância, entre a timidez e a ousadia dos sussurros. Fechei os olhos a fixar-lhe a forma das feições.
Corriam pela encosta as musas ao som das cordas da cítara. Coros de melodias estremeciam sob a harmonia dos seus dedos.
Vi-lhe a placidez dos gestos na calma com que as mãos dardejavam os raios sagrados do Sol.
Apolo chegava antes dos homens e triunfava no cimo das ruínas.
Em Delfos. "
http://www.osentidodaspalavras.blogspot.com/
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sexta-feira, outubro 06, 2006
A única rosa...
(Salvador Dali)Todas as rosas são a mesma rosa,
amor!, a única rosa;
e tudo está contido nela,
breve imagem do mundo,
amor!, a única rosa.
Juan Rámon Jimenez
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gostar dos que me são queridos,
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Reflexos do Olhar XXXVI
Olhar o mundo à minha volta,
gostar dos que me são queridos,
usar, da melhor maneira, aquilo, que julgo saber...
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