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quarta-feira, novembro 07, 2007

Os homens já não se lembram desta verdade...








O principezinho foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada- disse-lhes ele.-Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. São como a minha raposa era, uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e ela passou a ser única no mundo. E as rosas ficaram bastante arreliadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias-insistiu o principezinho.-Não se pode morrer por vocês. Mas, sozinha, é muito mais importante do que vocês todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi ela que eu matei as lagartas ( menos duas ou três, por causa das borboletas). porque foi ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.

Depois voltou para o pé da raposa e despediu-se:
- Adeus...
-Adeus- despediu-se a raposa. - Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos- repetiu o principezinho, para nunca se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa...repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já não se lembram desta verdade- disse a raposa.- Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa...-repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

(Antoine de Saint-Éxupéry) O Principezinho http://www.saint-exupery.org/

sábado, julho 21, 2007

A caminho das férias....

(Joaquin Sorolla Bastida)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaqu%C3%ADn_Sorolla

domingo, julho 15, 2007

UM DOMINGO COM AQUILINO RIBEIRO E...O MEU PRIMEIRO ROMANCE...




Havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas- raposeta matreira, fagueira, lambisqueira- corria os bosques, farejando, batendo mato, sem conseguir deitar unha a outra caça além duns míseros gafanhotos, nem atinar com abrigo em que pudesse dormir um soninho descansado. Desesperada de tão pouca sorte, vinham-lhe tentações de tornar para casa dos pais, onde, embora subterrânea, a cama era mais quente e segura que em castelo do rei, e onde nunca faltava galinha, quando não fosse fresca, de conserva, ou então coelho bravo, acabado de degolar. Mas temia-se da mãe que ao cabo de uma semana de fome, depois do assalto frustrado à capoeira dum lavrador em que vira a morte a dois passos, lhe atormentara o juízo com advertências e bons conselhos:
- Salta- Pocinhas, minha filha, tens de procurar outro ofício. Comer e dormir, dormir e comer também eu queria. Olé! Se ainda o não sabes, fica sabendo: quem não trabuca não manduca. Mal entre a lua nova- e não tarda a hora que chegue às portinhas do céu- está na idade de te conduzir por tua cabeça. Também já te lá cantam desoito meses, e dezoito meses nada ladros, louvado seja o pai dos bichos. É olhar-te para ascnavalhas dos dentes e a boa saia de peluche. Uma beleza!
- Ih, ih, ih! desatara a Salta Pocinhas a choramingar.
- Santa Paciência! Teus irmãos andam ganhando o pão, sabe Deus com que trabalhos! O Pé-Leve saiu um açougue de finura...
- E bom filho! Estava ontem a gineta a fazer-lhe um rasgadíssimo elogio- disse o pai velho, um raposão de rabo pelado, ao tempo que se espreguiçava entesando e voltando a entesar um longo e descarnadíssimo pernil.
- Pudera! Foi ele que bifou ao padre-prior o rico galo galaroz, crista de vermelhão e pernas de retrós. Comemos nós, comeu a gineta e, cem anos que eu viva, não me hei-de esquecer do fartote. Coitado, o Pé-Leve emancipou-se há umas semanas. A ti, Salta-Pocinhas, guardámos-te mais tempo connosco, esperando que servisses de arrimo para o fim dos dias. É negócio arrumado, se tratares de ti, já nos damos por contentes. Pronto, deitaste bom corpo, arranja-te, arranja-te!Para baronesa não nasceste...
- O mundo vai mal! O mundo vai mal! -emitiu o raposão em tom pessimista. -Quem houver de levar a vidinha segundo as regras do amor ao pêlo precisa de lume no olho. Sim, senhora! Hoje em dia assaltar uma capoeira é um problema complexo, muito complexo...
- Estou velha...caduca- tornou a mãe, sem fazer caso da filosofia do raposo.- Não te posso manter, ainda que quisesse. Há coisa de dias um cãozinho bem reles, um destes totós que não prestam para mais nada que para soltar o béu! béu!, deitou a correr atrás de mim e por pouco que não me rasga a fralda. O toirão que o diga. Teu pai, depois que apanhou a chumbada nas pernas, está o que para ali se vê: um entrevadinho, um borralheiro, incapaz de pegar um caçapo a dormir a sesta no covil.


Aquilino Ribeiro ( O Romance da Raposa)

domingo, julho 08, 2007

Barcos, que são formas esquivas...

(Aguarelas de Turner) Ria Formosa


Barcos Brancos


Barcos, que são formas esquivas,
cobrem a ria
oferecendo
à água da enchente a proa fina
São brancos quase todos
no princípio da
tarde a evidência da cal viva

Gastão Cruz (Crateras)

quarta-feira, junho 13, 2007

RECORDANDO EUGÉNIO!


Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
E dei às romãs a cor do lume.


Foi para ti que pus no céu a lua
e o verde mais verde dos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
Um corpo aberto como os animais.


(Eugénio de Andrade- Poemas 1945-1965)


O primeiro poema de Eugénio que li, já lá vão uns "aninhos"...

segunda-feira, junho 11, 2007

Não podia haver mais belo quintal no mundo...


(...O)utra paixão tinha eu além da dos folhetos: a das flores; ou antes: da jardinagem. Com os meus trinta réis, nos dias de mercado, comprava também raízes de flores, que transplantava para o meu quintal. Era um pequeno quintal atrás da casa, em parte ao lado, e a que davam acesso uns degraus de pedra toscos, íngremes e musgosos(...) Para mim não podia haver mais belo quintal no mundo!

José Régio (Uma anedota de gaiatos)

quarta-feira, maio 09, 2007

BOB DYLAN E JOAN BAEZ

quinta-feira, março 08, 2007

todos teníamos envidia de las mariposas...


(Dave Bruce Johnson)

La lengua de las mariposas (fragmento)

" El maestro aguardaba desde hacía tiempo que le enviaran un microscopio a los de la instrucción pública. Tanto nos hablaba de como se agrandaban las cosas menudas e invisibles por aquel aparato que los niños llegábamos a verlas de verdad, como si sus palabras entusiastas tuvieran un efecto de poderosas lentes.
-La lengua de la mariposa es una trompa enroscada como un resorte de reloj. Si hay una flor que la atrae, la desenrolla y la mete en el cáliz para chupar. Cuando lleváis el dedo humedecido a un tarro de azúcar ¿a que sienten ya el dulce en la boca como si la yema fuera la punta de la lengua? Pues así es la lengua de la mariposa.
Y entonces todos teníamos envidia de las mariposas. Que maravilla. Ir por el mundo volando, con esos trajes de fiesta, y parar en flores como tabernas con barriles llenos de jarabe.
(...)
Desde la cima del Sinaí no se veía el mar sino otro monte más grande todavía, con peñascos recortados como torres de una fortaleza inaccesible. Ahora recuerdo con una mezcla de asombro y nostalgia lo que tuve que hacer aquel día. Yo sólo, en la cima, sentado en silla de piedra, bajo las estrellas, mientras en el valle se movían como luciérnagas los que con candil andaban en mi búsqueda. Mi nombre cruzaba la noche cabalgando sobre los aullidos de los perros. No estaba sorprendido. Era como si atravesara la línea del miedo. "

Manuel Rivas

El Poder de la Palabra
www.epdlp.com
Barcelona - Nueva York

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

SEJA BENVINDO QUEM VIER POR BEM...






Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

(José Afonso)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Recuerdo...

(Bright)

(Guatemala-París. 1918-1928)

Recuerdo que en los días rosados de mi infancia,
la abuela(¿de quién son los abuelos?, ¿de los niños?),
solía por las noches, cuando la tibia instancia
parecía una caja de dulces de la luna,
contar historias viejas. Hoy ya no sé ninguna.

Abriendo lentamente los cofres de mi abuelo,
me daba a que besara la hoja de su espada.
Guardaba ha muchos años un relojón de plata,
una bandera blanca y azul color de cielo,
la estrella de una espuela y un lazo de corbata.

Conservo esos recuerdos que me legó de un hombre
y tengo en las reliquias de mis antepasados
la historia de mi casa, la gloria de mi nombre,
y guardo en esos cofres que siempre están abiertos
el retrato de bodas de mis abuelos muertos.


Su tristeza era suave
como el color de un lirio.
Y su dolor habia conocido
a los primeros enamorados
que habitaron el planeta.

Por eso ahora
que se habían separado,
comenzaron
a estar
más cerca
que nunca
el uno del otro.

(Miguel Angel Asturias)