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sábado, dezembro 22, 2012

Este Mar que levou na ressaca...

http://pam-patrimonioartesemuseus.com/m/photo/large?id=5497686%3APhoto%3A82943

O Mar. O mar novamente à minha porta.
Vi-o pela primeira vez nos olhos
da minha mãe, onda após onda,
perfeito e calmo, depois,

contra as falésias, já sem bridas.
Com ele nos braços, quanta,
quanta noite dormira,
ou ficara acordado ouvindo

seu coração de vidro bater no escuro,
até a estrela do pastor
atravessar a noite talhada a pique
sobre o meu peito.

Este mar, que de tão longe me chama,
que levou na ressaca, além dos meus navios?

(Eugénio de Andrade- Branco no Branco)

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Natal de 2012


 Esta árvore foi encontrada acidentalmente numa missão abandonada e semi-destruida pela guerra e pelo abandono dos homens - MISSÃO DE BOROMA- perto de Tete. Achei-a como quem acha um tesouro. Olhei-a e, ainda hoje a olho, como símbolo da vitória da vida sobre a morte. É esta, pois, a Árvore de Natal que trago para todos. Mais do que nunca, a publicação desta fotografia, é para mim completamente oportuna. 
Somos hoje um pouco esta árvore, mas seremos também capazes de não nos deixarmos esmagar pela tirania económica e social que sobre nós se abateu.
 Deixem aqui as vossas mensagens  que tentarei dispor nos seus ramos mais delicados.

 Um Natal caloroso para todos os amigos que por aqui vão passando...


terça-feira, dezembro 04, 2012

Por isso a cada vulto os sentidos reagem...


                                 (Aivazovsky)


INSCRIÇÃO SOBRE AS ONDAS

Mal fora iniciada a secreta viagem
um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
supondo ser a luz que deus me segredou.
 
 
 (David Mourão-Ferreira, in "A Secreta Viagem")


sábado, dezembro 01, 2012

Invoca o fogo, a claridade, a música...

  (Bourguereau)

                                  Faz uma chave, mesmo pequena,
                       entra na casa.
                       Consente na doçura, tem dó
                       da matéria dos sonhos e das aves.

                       Invoca o fogo, a claridade, a música
                       dos flancos.
                       Não digas pedra, diz janela.
                       Não sejas como a sombra.

                       Diz homem, diz criança, diz estrela.
                       Repete as sílabas
                       onde a luz é feliz e se demora.

                      Volta a dizer: homem, mulher, criança.
                      Onde a beleza é mais nova.

(Eugénio de Andrade- Branco no Branco)
Happy Glassday