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sábado, outubro 31, 2009

Nathalie Joly canta Yvette Guilbert



Esta noite no Instituto Franco- Portuguais

"Freud ouviu Yvette Guilbert(1867-1944) logo no início da sua carreira no Cabaret, quando assistia às consultas de Charcot em 1890, época da sua primeira estadia em Paris. Ela representava para ele a Paris da sua juventude. Tocado pelo espírito da intérprete, que captava na sua interpretação a alma humana com humor e crueza, compaixão e ternura, Freud dá-lhe conta da sua admiração. Ambos procuravam nas "terras desconhecidas" da sexualidade o que alimenta a vida do espírito. A sua Arte de autenticidade seduz Freud, que se corresponde com ela e mantém uma relação de amizade baseada na admiração recíproca, pendurando o seu retrato na parede do seu consultório, ao lado do da Lou Andreas Salomé.(...)"

(retirado do texto montado e e editado pela Comissão Organizadora do XXII Colóquio da S.P.P)

quinta-feira, outubro 29, 2009

quarta-feira, outubro 28, 2009

Alguns humanos são mais primatas que outros...


                               (Aguarelas de Turner)
Estou a usar o primata como uma metáfora para uma tendência que existe, em maior ou menor grau, em todos nós. Nesse sentido, alguns humanos são mais primatas que outros. O "primata" é a tendência para compreender o mundo em termos materiais: o valor das coisas medido por aquilo que são capazes de fazer pelo primata. O primata é a tendência para ver a vida como um processo de calcular probabilidades e de avaliar possibilidades e usar os resultados desses cálculos a seu favor. É a tendência para ver o mundo como uma colecção de recursos; coisas que podem ser usadas para os seus objectivos. O primata aplica este princípio a outros primatas tanto quanto, ou mais ainda, o aplica ao resto do mundo natural. O primata é a tendência para não ter amigos mas aliados. O primata não vê os seus colegas primatas; obseva-os. E enquanto o faz, aguarda a oportunidade de se aproveitar deles. para o primata estar vivo é estar à espera de atacar. O primata é a tend~encia para basear as relações com os outros num único princípio invariável e implacável: o que podes fazer por mim e quanto isso me vai custar? Essa percepção dos outros primatas acaba por se virar contra o próprio, contagiando e comunicando a visão que o primata tem de si próprio. Consequentemente ele considera a felicidade como algo que pode ser medido, pesado, quantificado e calculado. E encara o amor da mesma forma. O primata é a tend~encia para pensar que as coisas mais importantes da vida se resumem à análise de custo-benefício.
Tudo isto é, reitero, uma metáfora a que recorro para descrever uma tendência humana. Todos conhecemos pessoas assim. Conhecemo-las no trabalho e na vida social; sentámo-nos à frente deles em mesas de conferências, e mesas de restaurantes. Mas essas pessoas não passam de exageros do género humano básico. desconfio que grande parte de nós é mais assim do que pensa ou do que quer acreditar. mas porque é que caracterizo esta tendência de símia? Os seres humanos não são a única espécie de primatas que consegue sofrer e saborear toda a gama de relações humanas. Como vamos ver, há outros primatas que conseguem senti amor; que conseguem sentir a dor tão intensamente que morrem por isso. Conseguem ter amigos e não apenas aliados. No entanto, esta tendência símia no sentido em que é tornada possível pelos primatas; mais precisamente, por um certo tipo de desenvolvimento cognitivo que se deu nos primatas e, tanto quanto sabemos, em mais nenhum animal. A tendência para encarar o mundo e os que estão no mundo em termos de custo-benefício; para encarar a nossa vida e as coisas importantes que nos acontecem como algo que pode ser qualificado e calculado: esta tendência é possível apenas porque os primatas existem. E de todos os primatas, é entre nós, humanos, que esta tendência se revela mais apurada. Mas há também uma parte da nossa alma que já existia muito antes de nos tornarmos primatas- antes desta tendência nos ter agarrado- e tal esconde-se nas histórias que contamos sobre nós próprios. Esconde-se, mas pode ser encontrado.

(Mark Rowlands- O filósofo e o lobo. o que a selva nos pode ensinar sobre o amor, a morte e a feli-
                           dade)

terça-feira, outubro 27, 2009

A quem dás a beber à boca...



Falas de sol e lá fora chove.
A quem falas quando
iluminas de uma luz tão quente
cada palavra? A quem dás
a beber a boca, a respirar
o aroma do feno por entre a chuva?

(Eugénio de Andrade- O Peso da Sombra)

domingo, outubro 25, 2009

Brassens, um cantor para sempre




Para o meu irmão que, tal como eu, permanece ligado a Brassens, descoberto na nossa casa e na nossa infância.

De Sábado para Domingo um filme- Aruitemo aruitemo- Hirokazu Koreeda



http://search.japantimes.co.jp/cgi-bin/ff20080627a1.html

 Todo o filme decorre, na sua quase totalidade, no espaço de dois dias, no seio de uma família tradicional japonesa ,reunida no dia do aniversário da morte do filho mais velho. Ao longo deste tempo todos os presentes vão evidenciando os conflitos subjacentes a  toda a sua vida,  e que se polarizavam em torno da "presença" ausente do filho morto, totalmente idealizado pelos pais. 
Assistimos, através dos diálogos carregados de tensões, ironias, e silêncios, à revolta do filho preterido, que aproveita esta reunião familiar para pôr em  ordem o seu "deve e haver", sem nunca deixar de nos fazer sentir as suas decepções e afectos.
Se os encontros reactivam o desejo de acabar o que ficou em suspenso, eles também demonstram e confirmam  todas as impossibilidades.

É um filme que ultrapassa a sedução fácil  das diferenças culturais para nos mostrar a universalidade da ambivalência humana, que tantas vezes bloqueia a total expressão do que nos vai na alma. Como mensagem final  o realizador mostra-nos como acaba por prevalecer nos personagens a capacidade para conservarem no seu interior  tudo o que de bom acabou por acontecer. Uma síntese desta ideia é evidenciada no diálogo da jovem mãe com o filho  explicando lhe  como a memória dos que partem passa a fazer parte de cada um de nós.
Um belo filme que valeu bem a pena e que aconselho, vivamente, a todos os que ainda não o viram.

sábado, outubro 24, 2009

Arre, estou farto de semideuses!


    (Brueghel)

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita.
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho.
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos de moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncepe- todos els príncepes- na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente neste mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos-mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubiar?
Eu que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)

quinta-feira, outubro 22, 2009

A palavra flor andou por dentro da criança...


A FLOR                                 (Matisse)

"Je travaille tant que je peux et le mieux que je peux, toute la journée. Je donne toute ma mesure, tous mes moyens. Et après, si ce que j'ai fait nést pas bon, je n'en suis plus responsable: cést que je ne peux vraiment pas faire mieux" Henri Matisse

Pede-se à criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as duma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

(Almada Negreiros)

segunda-feira, outubro 19, 2009

O reflexo da luz é um «íman suave»


Entre no primeiro mundo de Joey e recorde o que nunca chegou a esquecer. Imagine que nenhuma
das coisas que vê, ou toca, ou ouve, tem nome ou uma função, e que poucas delas lhe despertam alguma recordação. Joey trava conhecimento com objectos e situações principalmente por causa dos sentimentos que eles lhe evocam. Não os conhece como objectos em si mesmos, nem pelo que eles fazem nem pelos seus nomes. Quando os pais lhe chamam « querido» ele não sabe que se trata de uma palavra e que se refere à sua pessoa. Nem sequer a reconhece como um som, diferente de um toque ou de uma luz. Mas repara, com cuidado, no modo como este som o atinge. Sente-o percorrê-lo, macio e suave, acalmando-o; tal como sente a aspereza, a turbulência, de um som que o agita, despertando a sua atenção. Todas as experiências são assim, têm um tom especial em que são sentidas-tanto pelas crianças como pelos adultos. Só que nós não lhe prestamos tanta atenção. A nossa percepção da existência não está centrada nele, como a de Joey.(...)

Um Reflexo de Sol: 7 h 5m
Joey acabou de acordar. Fica a olhar para um reflexo de sol, na parede ao lado  do berço.

Um espaço brilha ali,
Um íman suave atrai para cativar.
O espaço torna-se mais quente e ganha vida.
Dentro dele, as forças começam a andar em volta umas das outras, numa dança lenta.
A dança está cada vez mais perto.
Tudo se levanta para ir ter com ela.
Continua a avançar. Mas nunca chega.
A excitação passa.
Para Joey, a maior parte dos contactos com o mundo são dramáticos e emocionais- um drama cujos elementos e cuja natureza não são evidentes para nós, adultos. De todas as coisas que existem no quarto, só o reflexo de sol atrai e prende a atenção de Joey. O seu brilho e a sua intensidade são irresistíveis. Com seis semanas, Joey vê bastante bem, embora ainda não veja com perfeição. Já tem consciência das diferentes cores, formas e intensidades. E nasceu já com as suas preferências, sabe para onde quer olhar, o que lhe agrada. No topo da lista de preferências está a intensidade. É o elemento mais importante nesta cena. O sistema nervoso dos bebés está preparado para avaliar, de imediato, a intensidade de uma luz, um som, um toque- tudo o que seja acessível a qualquer um dos seus sentidos. A intensidade com que sente é, talvez, o principal dado de que dispõe para decidir se quer aproximar-se ou afastar-se de alguma coisa. A intensidade pode levá-lo a tentar proteger-se. Pode orientar tanto a sua atenção como a sua curiosidade e determinar o seu nível interno de percepção. Se uma coisa for pouco intensa ( como uma lâmpada acesa, durante o dia), a atracção que ela exerce sobre ele é fraca. Se for demasiado intensa ( como a luz do sol), ele evita-a.Mas se for moderadamente intensa, como o reflexo de luz, ele fica fascinado. Essa intensidade tolerável desperta-o. Reage a ela, alterando-se de imediato. A sua atenção aumenta. O reflexo da luz é um «íman suave» e ele sente a sua força.

(Daniel N. Stern- Diário de um bebé. O que o seu filho sente, imagina, deseja.)

Uma mulher que olhava o mar



                                          (Dali)

No salão de Primavera de 1946 expus um quadro chamado Maternidade. O seu estilo era semelhante ao dos meus quadros anteriores. Como dizem os críticos no seu dialecto insuportável, era sólido, estava bem arquitectado. Possuía, enfim, os atributos que esses charlatães encontram sempre nas minhas telas, incluindo « alguma coisa profundamente intelectual». Mas na parte superior, do lado esquerdo, através de uma janelita avistava-se uma cena pequena e longínqua: uma praia solitária e uma mulher que olhava o mar. A mulher olhava como se esperasse alguma coisa, talvez um apelo ténue e distante. Na minha opinião, a cena sugeria uma solidão ansiosa e absoluta.
Ninguém lhe prestou atenção. Passavam os olhos por ela como se fosse qualquer coisa de secundário, provavelmente decorativo. Apenas uma pessoa pareceu compreender que era algo de essencial. Foi no dia da inauguração. Uma rapariga desconhecida esteve muito tempo diante do meu quadro sem conceder, aparentemente, importância à grande mulher situada em primeiro plano, a mulher que via o menino a brincar. Em contrapartida, olhou fixamente a cena da janela e, enquanto o fazia, tive a certeza de que estava isolada do mundo e não via nem ouvia as pessoas que passavam ou se detinham diante do meu quadro.
Observei-a todo o tempo com ansiedade. Depois ela desapareceu na multidão, enquanto hesitava entre um medo invencível e um angustiante desejo de a chamar.

(Ernesto Sabato- O Túnel)

domingo, outubro 18, 2009

sábado, outubro 17, 2009

Abro as narinas para respirar o perfume da flor...


                                                       (Magritte)
Poema da flor proibida

Por detrás de cada flor
há um homem de chapéu de coco e sobrolho
                                                    (carregado.

Podia estar à frente ou estar ao lado,
mas não, está colocado
exactamente por detrás da flor.
Também não está escondido nem dissimulado,
está dignamente especado
por detrás da flor.

Abro as narinas para respirar
o perfume da flor,
não de repente
( é claro) mas devagar,
a pouco e pouco,
com os olhos postos no chapéu de coco.

Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,
protege-me com o seu amor,
Ele sabe que a flor pode ter espinhos,
ou tem mesmo,
ou já teve,
ou pode vir a ter,
e fica triste se me vê sofrer.

Transmito um pensamento à flor
sem mover a cabeça e sem olhar.
De repente,
como um cão cínico arreganho o dente
e engulo-a sem mastigar.

(António Gedeão- Poemas escolhidos)

sexta-feira, outubro 16, 2009

A floresta implacável voltava a avançar subreptíciamente...


                                         (Valtat)

A estrada de Autumn Hill era na realidade uma vereda, e bem precisada de reparos, que, em curvas e torcicolos através da floresta de recente data, vencia lombas e lamaçais e plainos ondulados, numa extensão de mais de seis quilómetros. Duas vezes entre a vila de Clearwater e Autumn Hill, a estrada se afundava nos alagadiços; duas vezes rompia pelas íngremes ladeiras acima, com arestas de rocha expostas, para atingir por fim o ponto mais alto, depois de descrever dois lacetes em torno da colina, e ir morrer à porta dos Emerson.
A ambos os lados da estrada, os pinheiros e bétulas da segunda geração erguiam-se ao nível da estreita e sinuosa vereda que em tempos servira para o carreto de madeira para polpa, e ainda se mostrava sulcada e corroída pelo uso. Ao longo dos alagadiços, alguém tinha assentado uma base de toros de madeira dura e recobria-os de cascalho. De Janeiro a fins de Março, a estrada ficava sepulta sob a neve, que soprava e turbilhonava através do claro da floresta, tornando a vereda impassável, excepto para cavalos e trenós ou para homens providos de esquis ou sapatos de neve. No começo da Primavera, os cursos de água que serpeavam nos alagadiços subiam de nível, e chegavam a submergir a estrada. Nos meados do estio, contudo, o leito desta mostrava-se seco e firme, e o mais pesado dos camiões podia percorrê-lo com segurança.
Nos primeiros três quilómetros para Autumn Hill, estava-se em campo aberto. A floresta original tinha sido abatida, os campos limpos de penedos, e estes arrastados para a beira dos caminhos e regatos, para erguer paredões. A floresta implacável voltava porém a avançar subreptíciamente, a reclamar as fazendas logo que estas eram descuradas, e alguns campos e edifícios já se tinham tornado invisíveis no caminho.
O resto da estrada afundava-se na floresta. o vidoeiro branco, o pinheiro, a cicuta, o abeto spruce, cresciam com tal densidade que era difícil avançar oitenta metros através deles para qualquer dos lados.


(Erskine Caldwell- uma luz ao escurecer)

quarta-feira, outubro 14, 2009

Bebel Gilberto -Samba e Amor



Estará por Lisboa(Aula Magna ) em finais de Outubro.

terça-feira, outubro 13, 2009

É dentro do olhar...


O Olhar

É dentro do olhar que principia
essa penumbra que, expulsando o dia,
pouco a pouco enevoa tudo em volta
e onde era luz semeia escuridão.
E é dentro do olhar que a solidão
origina a tristeza e a revolta.
Mas é também por dentro do olhar
que a manhã se ergue nua e anda à solta
e brilha intenso o verde-azul do mar.

(Torquato da Luz- Por Amor e Outros Poemas)

sábado, outubro 10, 2009

Notas soltas de Madrid V- Fantin Latour no Thyssen



Tendo sido a Gulbenkian a primeira sala que apresentou a retrospectiva deste pintor romântico francês, contemporâneo dos impressionistas, foi só  no Thyssen que pude saborear a sua pintura.
Fui sensível à minúcia, quase científica, dos seus trabalhos, em particular as flores. Uma precisão que não retira ao quadro a emoção, antes a transmite por via da transparência, da leveza e da suavidade. Da mesma forma, os seus trabalhos em torno da mulher entregue à leitura e ao sonho acordado, transportam-nos a uma atmosfera intimista e nostálgica onde todo um mundo interior parece pairar. 
Encontramos também em Fantin Latour a obsessão pelo auto-retrato (na linha de Rembrandt) podendo acompanhar através de um número significativo de telas as suas transformações físicas e psicológicas no decurso da vida.
Era uma pena ter perdido em Lisboa a oportunidade de conhecer algo deste pintor, para mim, quase desconhecido.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Notas soltas de Madrid IV- Quadros de uma Exposição


(Aguarelas de Turner-2009)- Sorolla

quinta-feira, outubro 08, 2009

Notas soltas de Madrid III

-


("Aguarelas de Turner"-2009) 1-pormenor da Fonte das Confidências; 2- interior da casa.Salão ; 3- Instantânea Biarritz-1906)

Continuemos a percorrer os jardins e as salas da casa-museu Sorolla. Fixemo-nos agora nesta tela. 
Sorolla vivera em Paris desde a Primavera até ao Verão de 1906 acompanhando a sua primeira exposição individual. Deixa-se  impregnar pelos impressionistas franceses. No mês de Agosto vai para Biarritz, onde  pinta este quadro encantador. Na sala onde se encontrava foi sobre ele que caíu o meu primeiro olhar. Porque terá sido?

quarta-feira, outubro 07, 2009

Notas soltas de Madrid II


                             

("Aguarelas de Turner"-2009) 1-vista do atelier do artista, agora, sala de exposição; 2-pormenor de um quadro de Sorolla; 3- interior da sala de jantar do pintor.



Sorolla na fase de formação recebe influência de Gonzalo Salvá Simbor que trouxera de Paris a marca de Escola de Barbizon. Assim, inicia a pintura ao ar livre que se irá prolongar por largos anos da sua actividade. À medida que a sua pintura ganha aceitação nos meios artísticos, Sorrolla viaja para diferentes centros culturais na Europa  recebendo influências da pintura impressionista, expressionista e fauvista. Através da viagem que este museu nos oferece podemos admirar a presença de todas estas influências na obra do pintor, a par e passo com os diferentes momentos da sua vida.

terça-feira, outubro 06, 2009

Notas soltas de Madrid




          
                                             
O saltinho até Madrid ( no tempo que sobrou para a passeata ) deu para visitar em Madrid o Museu Sorrolla e rever algumas salas do Thyssen. Deixar-vos-ei, por agora,  algumas notas de exteriores e interiores do Museu Sorolla, que está instalado na vivenda em que viveu o pintor a partir de finais de 1911. Se ainda não conhecem, passarão ali momentos bem agradáveis, mergulhando na pintura e no ambiente deste pintor da luz.




(fotos "Aguarelas de Turner"-2009)